Pertencimento

O único medo que tenho é de quem sou quando não tenho medo de nada.

Sinto em meus dedos uma tremedeira que só a elevação de ser quem é requisitada pelo mundo pode causar. Pertencimento. Eu pertenço ao que fiz ontem, ao que faço agora, a onde me levarei amanhã. Pertenço as meditações librianas e aos impulsos sagitarianos, que tanto vermelho impõem em minha visão. Vermelho vivo, vermelho bordô, vermelho de quem sabe como sangra e o que fazer para estancar a veia que chora. Eu nasci pra ser quem sou agora. Eu nasci pra ter as conversas que tenho, pra questionar o que questiono, pra relevar o que relevo. É só matéria. Seja por aí sentindo o álcool circulando em meu sistema nervoso, formigando minha cabeça em áreas específicas e entortando meus dedos em ângulos que não são meus, eu nasci pra estar ali. Seja deitada no chão sujo de uma casa que reconheço cada vez mais como ninho, que me oferece as ambições e as asas pra me fazer voar mais alto, eu nasci pra estar ali.

Sonho que encontro pessoas, só para encontrá-las horas depois. Sonho que pessoas morrem, só para acordar com terceiros me avisando que as pessoas morreram. O tempo falou comigo esses anos inteiros, sabendo que eu estava distraída com todas essas pessoas ao meu redor. Porque eu nasci pra reparar nelas. E hoje colho o que plantei pra mim. Flor por flor, espinho por espinho, degrau por degrau. Eu nunca estou na contra mão. Meu mapa é torto, risonho e brincalhão, e gosta de fortalecer minhas pernas me fazendo dar voltas pra ver tudo em todos os ângulos que existem pra se ver. Eu nasci pra ser assim. Minha, e de mais ninguém. Passageira nessa terra que me olha a gargalhar, esperando eu responder os diálogos que ela tem comigo.
Pertencimento. Achamos isso nos detalhes mais antigos que nos observam evoluir dentro de quem sempre fomos. O mais atento de todos está no útero de minha mãe.

received_10209886326104452Mãe alimenta cria. Eva Cruz.

O blog está mudando!

Link no final do post


2017 foi um ano intenso para a equipe do Acid Lemon. Comecei este projeto sem pretensões e sem muitos planejamentos, mas soube que com o tempo criaria muito afeto por tudo isso. Como forma de transformar todo esse meu espaço e entregar algo renovado junto a essa  troca de ano, energias e afins, resolvi mudar o link do blog e trazer melhorias!

Aqui no WordPress não tenho tanta liberdade para criar, desenvolver e postar, por isso acabei decidindo ir para uma plataforma diferente. Além disso, a marca do blog vai ser nova, mas com as mesmas referências. O link vai ser mais fácil e acessível para todos. Acho que por ela ter sido em outra língua acabava sendo de difícil acesso, até porque estamos no Brasil, né?! Aguardem, pois até amanhã o site novo estará no ar com suas devidas novidades! ❤

Link do novo blog: www.luadoblog.com.br 

Resenha: As paletas de sombras INCRÍVEIS da Colourpop

Nichole não é só texto profundo, não. Nichole também é vício em maquiagem, meus anjos! (haahahaha). Fico muito feliz por ter um espaço aqui no Acid pra poder falar sobre isso também. Aliás, o Acid anda sendo um refúgio maravilhoso para o compartilhamento de coisas boas. Sou muito grata a Lu por isso, e espero fazer um trabalho legal pra todo mundo que acompanha a gente aqui no blog.

Bom, como primeiro post eu resolvi falar de uma das minhas maiores obsessões: a marca Colourpop. Pretendo fazer outro post sobre ela em breve, mas hoje, quero falar sobre o fenômeno que anda rondando todos os grupos de maquiagem que participo: as paletas de sombras da Colourpop. Esta é uma marca americana muito acessível, que entrega no Brasil, e que anda soltando muitos produtos MARAVILHOSOS por aquele preço que a gente ADORA! Preço de Vult, gente! Uma marca americana que, convertida pra real, consegue ser extremamente barata para a qualidade que ela proporciona.  Incrível, né? “Mas e a importação, Nichole?”, você me pergunta. E eu digo: CALMA, que a gente vai falar sobre isso no outro post que eu vou fazer sobre a marca aqui, mas também vou pincelar um pouquinho ao fim do post. Mas vamos falar sobre as paletas, né?

As paletas da Colourpop começaram a ser lançadas somente esse ano. Antes, a marca apenas vendia sombras unitárias e, às vezes, algumas paletas de quatro cores, mas bem básicas. A primeira a ser lançada foi a Yes, Please, que tem tons mais quentes e alaranjados. Foi um hype tão grande que a paleta deveria ser de edição limitada, mas as pessoas se apaixonaram por ela. Esta é uma paleta que segue o estilo do momento, com o trend dos sunset eyes e das sombras alaranjadas. A paleta parece bem maior por foto do que é realmente. Na realidade, ela cabe quase inteira em uma mão. Porém, a qualidade e o preço da mesma torna ela um item que vale muito a pena.

Eu peço perdão pelos swatches horríveis, e que não fazem jus a qualidade da paleta. As sombras são muito pigmentadas, de um jeito que você precisa bater um pouco o pincel em algo duro antes de aplicar no olho, pra tirar o excesso, e ainda assim, acaba indo demais pro seu olho. As sombras esfarelam um pouco. Dá até pra perceber pelo jeito que a minha paleta tá manchada, né? A embalagem branca é um dos únicos defeitos que a paleta tem, porque acaba ficando feio e mancha muito fácil. No dia que ela chegou aqui em casa, eu já acabei manchando a parte de fora, e não saiu mais. Mas em relação as próprias sombras, são magníficas e esfumam com muita facilidade no olho, independentemente do pincel que você usa pra isso. As sombras metálicas são muito brilhosas e nem necessitam de água pra ficarem mais brilhosas no olho. É a paleta essencial para quem ama essa moda dos tons quentes, pois os looks serão inúmeros. Na verdade, até quem gosta de algo mais neutro também consegue brincar com ela. A variedade de combinações na Yes, Please é extensa, e isso me fez ficar apaixonada por ela.

A segunda paleta a ser lançada pela Colourpop foi a She, uma colaboração com a atriz Karrueche. Ela é bem, bem, BEM rosada, e tem tons bastante românticos, que vêm da própria coleção da Karrueche, que remete a algo mais feminino. Ela é uma paleta um pouco mais difícil de trabalhar, por ter apenas quatro tons opacos, então os looks acabam ficando mais do mesmo, e esse é o seu maior defeito: não existem variedades de combinações. É uma ótima paleta de apoio, caso você já tenha várias cores neutras e queira dar uma ousada no look, principalmente por conta das suas sombras metálicas, que são simplesmente maravilhosas e cremosas. Eu comprei ela porque queria algo mais rosado, mesmo sendo uma garota mais puxada pros tons neutros, e foi amor à primeira vista, principalmente por conta da qualidade, que é impecável. Se você ama esses tons mais rosas, mergulhe nela!

Alguns looks com as duas paletas:

Yes, Please (Fonte: Colourpop/Instagram)
Yes, Please. (Fonte: Temptalia).
(Fonte: Colourpop/Instagram)
Yes, Please (Fonte: Colourpop/Instagram).
She Palette (Fonte: Colourpop/Instagram)
She Palette (Fonte: Taya Sunaz/Blogspot)
She Palette: (Fonte: Alissa Ashley/Youtube)
She Palette (Fonte: Colourpop/Instagram)

A Colourpop não para de lançar paletas novas, e que doem no meu bolso quando aparecem no meu feed do Instagram. Tem para todos os gostos. Neutros, arroxeados, brilhosos, tudo o que você puder imaginar. Recentemente, adquiri a “You Had Me At Hello”, e ela ainda não chegou pra eu poder mostrar pra você. Mas no post que eu fizer sobre toda a marca da Colourpop, eu coloco ela aqui para você verem.

Em ordem da esquerda para direita, de cima para baixo: Double Entendre, Yes, Please, She, Element Of Surprise, You Had me At Hello, My Little Pony, All I See Is Magic e I Think I Love You. (fonte: Colourpop/Instagram).

As paletas de doze cores custam $16 (em torno de R$50), com exceção da You Had Me At Hello, que, por ter um espelho, acaba sendo $18 (quase R$60). Levando em conta que é o preço que se encontra em algumas paletas de sombras brasileiras de qualidade um pouco inferior as da Colourpop, vale MUITO a pena. A All I See Is Magic acaba sendo um pouco mais cara também por conta do número de sombras ($20, pouco mais de R$65).

Aí você me pergunta: Nichole, como que eu compro isso? Não tenho cartão internacional, eles aceitam boleto? Ok, vamos lá. O site da Colourpop não aceita boleto. As formas de pagamento são cartão de crédito e PayPal. Mas eu mesma, não tenho cartão de crédito internacional. O que eu tenho? O Ebanx. Um cartão pré-pago digital internacional, em que eu deposito dinheiro pra fazer minhas comprinhas lá. Legal, né?

Quanto à importação: eu nunca fui taxada com a Colourpop, mas também nunca comprei acima de sessenta dólares. Recomendo que faça o mesmo pra não correr tanto risco. Quem não quiser correr risco algum, várias lojas, como a TagStore, vendem as paletas, mas o preço é BEM mais salgado, em torno dos 120 reais, então não sei se vale a pena.

Espero que tenha gostado da resenha! Beijão.

 

 

 

O caos em 2017

Minha casa anda por obras.

O grande mestre da construção, um senhor que gosta do meu café e morou por uns tempos em Portugal, dia desses me pegou com um comentário muito do superficial. Era a caótica e quente hora do almoço, pessoas escovando os dentes e organizando objetos correndo por todos os lados, eu arrastando a mochila de rodinhas escolar do filho pra lá e pra cá como se isso fosse me salvar do atraso pavoroso de quem gosta de estar uma boa meia hora adiantada em tudo que faz. Ele riu me olhando entre um ordem e outra que dirigia à sua equipe.

– Vai pegar um voo? Parece que ta correndo por um aeroporto. – comentou debochado numa simpatia que nunca saberei espelhar para um homem forasteiro que sabe onde moro. Mas ri, verdadeira. Mal sabia ele, pobre seu Antonio – que viria a ser assaltado neste mesmíssimo dia algumas horas mais tarde – que eu estava prestes a pisar numa sala de aula cheia de meus Erês pela primeira vez em meses, pelo que me parecia ser a primeira vez em toda uma nova vida que se desenrolava ao meu redor, saída de meu próprio útero e fruto de novos perdões e permissões entregues por mim mesma. Mal sabia seu Antonio que um casulo que tao metodicamente teci por anos sob meus membros e articulações, sob meus olhos, ouvidos e boca, se desfazia ao meu redor, estourando e polvorizando couros inúteis e peles que se trocavam conforme os sons da natureza, tudo com o sutilmente violento comando da sincronicidade que sopra pra longe e suga pra perto tudo que dança existência afora. Mal sabíamos que, ainda que existisse uma pressa faminta em meus passos, de quem sabe para onde quer ir, uma bonança tranquilizante se apoderou do que há dentro de mim em meio ao turbilhão de 2017, onde perdi, ganhei, me livrei e abdiquei.

Foi no caos do ano de 2017 que me descobri sentindo coisas que pessoas me falaram que sentiria um dia. Foi na anarquia, na desordem e na perturbação que encontrei o instinto cru de que caminho, de que me renovo, de que estamos aqui para ser mais que uma pessoa para todas as pessoas que cruzam nossos passos neuróticos por aí. Nunca apenas com a simpatia. Nunca apenas com o amor. Acredito piamente que devemos existir além desses sentimentos que tornamos tao divinos. Que absurdo, chamar de milagre, de cura, de algo acima de nós algo que é tao intrinsecamente de nossa natureza. Natureza essa tao mais complexa do que amores e divindades afetivas! Somos feitos de e para um mundo de raiva, de injustiça, de álibis e horrores. Somos feitos de crimes e castigos, para então buscarmos as grandes lições do perdão, da penitencia em sermos quem juramos ser, da boca salivante e gritante que quer ser parte de algo que salve esse mundo de nós. Antes de nos salvarmos desse mundo, que salvemos esse mundo de nós! Antes do amor, o horror do real! Foi no caos de 2017 que desengoli minha falácia de “entendo meus limites” e passei a vive-los, respeitando a mutabilidade de quem sou e de onde estou. Meus limites dançam, sabidos de onde estão a me levar e os caminhos que encontro em meu futuro. Que se foda o carpe diem de quem aproveita o presente com dedos agarrados de forma intrometida; eu vivo atemporal. Sem medo da mortalidade de meu ego, de quem sou quando estou sozinha, pois foi no caos de 2017 que finalmente me deixei ser possuída pela certeza de que as reencarnações que interessam pra essa natureza que só nos vê passando são coletivas, ideias e lutas que viverão além de nosso tempo humano neste plano.

Sigo espalhando a boa nova: coragem é mais do que dar o primeiro passo em direção ao que se quer. A verdadeira bravura, que diferencia massas de pontos de luz, está em lidar com as consequências deste tao demorado primeiro passo.

– Bom voo! – gritou seu Antonio quando finalmente saí de casa, se equilibrando em cima do andaime que montara em minha sala de estar. Mal sabia.

caos

#StayYellow: Um ano de transição

you got this
(fonte: Pinterest)

Eu quero acreditar que esse ano foi de transição. Aquele monótono, com perdas grandes e decepções, mas que serviu para que o próximo seja um ano de ações. Foi honestamente como se eu tivesse ficado 365 dias em uma tela em branco, e as coisas se pintaram em tons cinzas. Algumas vezes, tive flashes da luz do sol no meu campo de visão, mas que foram substituídos por mais nuvens, algumas quase negras, outras que serviram para me dar um susto, mas logo foram embora. E como todo ano, me fez suspirar e dizer “É, não foi fácil”.

E me assusta como tudo mudou tão rápido e o tempo todo. Comecei achando que tudo seria incrível. Minha cabeça estava controlada, eu estava fazendo novas amizades, me sentia bem com a minha própria companhia e meu trabalho estava sendo reconhecido. As pessoas confiavam em mim para lidar com os temas que eu mais amo lidar. Eu confiava em mim para fazer isso.

Mas com a calmaria, veio a tempestade. Perdi amigos. Perdi amores. Esses, nem sempre serviram para o posto, mas com a minha mania de exagerar tudo o que aparece para mim, foi como se eu tivesse perdido um mundo inteiro toda vez que alguém passava pela minha vida e decidia não ficar. Perdi oportunidades e comecei a sentir que estava perdendo tempo e desperdiçando o meu talento e a expectativa que os outros colocavam em mim. Sucumbi rapidamente. Como se um tapa na cara me acordasse para as coisas ruins, para o pessimismo. E eu me enfiei nele como se fosse uma coberta que me livrasse de novidades que me assustavam e me davam ansiedade. Tudo o que eu acreditava antes foi destruído, e eu precisei de outro tapa para acordar e, mesmo atenta, ainda segui sem confiança. Ainda sigo. Não sei o que me espera, e isso me assusta. Não sei se sou capaz e isso me mata um pouco por dentro. Mas sei que não estou sozinha.

E esse foi o meu maior presente em 2017. Saber que eu tenho pessoas. Saber que eu nunca vou cair e não ter alguém para me ajudar a levantar e curar o meu machucado no joelho. Saber que existe alguém que vai balançar os meus ombros e me dizer que eu tenho capacidade para terminar tudo o que eu comecei da melhor forma. Que eles estarão lá para me ajudar a fazer isso. Chorei muitas vezes, por vergonha de admitir a eles que eu falhei e que eu precisava de ajuda. É difícil aceitar que eu falho e, por isso, tinha medo de ser julgada. Mas não havia por que eu me prender tanto ao perfeccionismo, porque ele não é possível quando se age sozinha. E é isso que eu preciso entender em 2018.

Outra coisa que eu percebi foi o quanto eu preciso ajudar as outras pessoas. E como elas precisam não só da minha ajuda, mas da ajuda de todas. É algo pelo qual eu pretendo batalhar verdadeiramente em 2018 e em diante: as pessoas precisam de ajuda. Elas precisam se sentir bem. Elas precisam vencer qualquer insegurança que as deixe penduradas em sua própria vida, e eu quero estar presente nessa luta o máximo que eu puder. É uma urgência dentro de mim que eu mal consigo explicar ou justificar de maneira racional. Mas é o que eu preciso fazer.

Eu me maltratei muito nesse ano. Exigi de mim coisas incompreensíveis para qualquer um. Me esforcei até o limite da minha capacidade mental, ou mais além do que isso, como se martelar os meus pensamentos com toda a minha força não fosse me fazer mal. Me coloquei pra baixo contra minha própria vontade, estraguei coisas sem que eu mesma percebesse que havia estragado. Fiz tudo isso de graça. E depois de um tempo, percebi que nada foi de propósito. Que aquela não era eu. Que eu precisava me cuidar.

Tive segundas chances em 2017. Várias, em vários aspectos. Tive últimas chances também. Essas, a maioria eu desperdicei, e ainda estou procurando superá-las e procurar novas chances. Mas é complicado para alguém cabeça dura como eu. Sinto que sempre perco a melhor oportunidade que poderia me aparecer, e que nada igual irá cruzar o meu caminho. E agora, com outro ano entrando, a expectativa não me consome mais. Pois com o tanto de vezes que eu a utilizei esse ano, duvido que haja alguma restante. E isso é bom. Nada é muito bem aproveitado quando se existem milhões de esperanças depositadas.

Então eu sei que meu lema em 2018 será: faça o que puder. Não se consuma por coisas pequenas. Viva a vida do jeito que ela vier. Não se desespere antes do tempo. Agarre o que tiver no seu caminho, mas solte se perceber que nada de bom virá daquilo. Cuide de você, da sua saúde e da sua autoestima. Não se sinta mal por não ter conseguido as coisas, isso não significa que você não é o suficiente para elas. E se se sentir insuficiente, saiba que você é mais do que suficiente para um mundo inteiro de coisas. E é isso que deve te motivar. Isso, e a sua capacidade de ser uma pessoa maravilhosa.

2018 vai ser seu. Seu para descobrir, para inventar, para surpreender e ser surpreendido. Vai ser seu para se conhecer ao máximo, e é isso o que deve ser mais importante. Você.

 

Final de ano, nostalgia e autorrealizações

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Música indicada para escutar enquanto lê o texto! (Clique aqui para escutar)

Datas festivas definitivamente não são as minhas preferidas. Não sei lidar com toda essa carga de abandonar algo, ainda mais um ano que ainda não foi concluído, pelo menos para mim. É difícil pensar que independente de qualquer coisa, os dias, as horas e os minutos vão passar sem pensar nos seus planos, se eles estão em andamento ou se foram concluídos. Se alguém parar para pensar nisso, vai ver o quão injusto o tempo é conosco!

Esse ano passou extremamente rápido, de forma que nem consegui contar os dias e os meses. Isso me deixa inquieta. Mais uma vez vejo que não estou no controle. Que só estou vivendo. Mas não acho isso ruim, pois estou aprendendo a viver dentro dessas circunstâncias. Queria ter menos receio do novo, e acho que o que mais me incomoda em toda essa mudança, é o medo. Não sei nada do que me espera lá na frente. Não sei o que vou planejar, por mais que não goste de planos, e afins…

2017 veio carregado de bons sinais, segundo algumas religiões esse ano seria de realizações, deveríamos fazer pedidos para que eles se realizassem… Eu, particularmente, nunca começo com muitas esperanças, mas acabei tendo um ano incrível. Nele eu me realizei, pois criei esse projeto (o blog) imenso para mim. Ninguém sabe o quanto eu amo fazer isso que estou fazendo!!! Esse blog está sendo a minha maior forma de terapia, sabe?! Eu aprendi tanto com ele. Você também me ajudou, sabia? Eu amo conversar contigo!!!!!! Desabafo tudo que tenho trancado em meu peito. Uma das maiores barreiras que venci foi com a ajuda de vocês… Agora eu me amo mais, eu sou mais madura e mais independente!!!!

Tirei esse ano para encerrar ciclos e começar novos, e foi isso que eu fiz…. Sou uma pessoa diferente, não pareço mais quem eu era nos anos anteriores. Ontem em uma conversa que tive com a minha melhor amiga, me emocionei ao ver que tudo em nossas vidas mudou, fomos realmente para outros caminhos que nem pensávamos em traçar… Percebi o quanto amadurecemos, o quanto estamos nos tornando independentes. Fiquei assustada, mas acho que é necessário abrir os meus olhos quanto a isso! Muitos fatores fizeram com que eu me olhasse de diversos ângulos. Perdi pessoas que eu gostava muito, a distância afastou de mim pessoas que eu amo, quebrei muito a minha cara com amizades, me vi em situações que me tiraram a calma, chorei por motivos que não davam para serem ignorados.

Foi durante esse ano que minha família aceitou minha transexualidade. Agora sou eu. Me sinto completa. Acho que essa foi uma das maiores realizações que tive. Nunca me senti tão agradecida e segura em minha vida. Sei que ainda existem muitas coisas que precisam mudar, mas já fico muito feliz. Você não sabe o tamanho dessa vitória para mim, mas ela é o maior ponto que alcancei!

Tenho que agradecer a esse ano. Eu aprendi muito nele, acho que defini muitas coisas que eram apenas incógnitas em minha vida! Ele está acabando e estou entrando nesse período saudosista, sabe? Agora mesmo estou chorando! Já bateu a saudades. Sei que só é uma passagem, mas para mim é muito mais do que isso, estou caminhando para uma fase mais severa, mais responsabilidades estão surgindo, e preciso me preparar… Meu psicológico está em estado de alerta, ele quer me acordar para a realidade, e está conseguindo…. Preciso estar esperando mudanças, e de braços abertos. Você gosta de mudanças? Por que elas são boas para você?

Obrigada 2017, sua energia foi incrível e vai ser inesquecível para mim!!!! Espero que você tenha sido maravilhoso para outras pessoas, assim como foi para mim. Até mais!

 

Beijos e abraços, Lu!

Regida por Vênus

Libriana e camoniana. Vouyer e flâneur de romances e decepções, em toda minha melancolia baudelairiana. Feita do amor, com amor e para o amor, mas de maneira injusta. É que não nasci para aprender nada disso, ignorante ser humano que poderia ter vindo a ser se não  me certificasse tanto de saber os porquês que me cercam, mas acabei aprendendo que amo amar o amor. Tão, tão camoniana.
Entretanto, quantos outros não se descobriram camonianos independentes de Camões? Love loves to love love, ensinou Joyce, e eu entendo! Entendo, entendo a dor de não entender porque sofrer de amor sem amar nem ser amada. Amo o amor, que é como uma característica física em mim, manifestado por sorrisos silenciosos ou brilhos nas íris, batuques de dedos ou calafrios longínquos, e me perdoem os cupidos, mas de natureza tao ilusionista. Iludo, iludida, alucinatoriamente acreditando amar os corpos físicos carregadores das almas de quem conheço, ainda que consciente de meu mais ecoante e subterrâneo canto, que de tempo em tempo me sussurra que não amo corpo algum. Jamais poderei os amar. Amo almas, que nem ao menos sabem do poder que têm perante suas próprias carnes. Amo as versões que construo de cada uma dessas almas dentro de mim, em meus cenários planejados e em minhas fantasias amadoras. Meu mundo virtual por vezes é tao mais intenso do que meu mundo real que não sei separar um do outro; não sei qual clamo como versão que inventei e qual clamo como versão que o destino tão ocasionalmente me deu, me implorando para por favor amar certo dessa vez. Por favor, se deixe ser amada. Seja humana. Seja a carne que até o mais diabólico anjo gostaria de ter sido.
Deitada no chão com os pés para as nuvens enquanto percebo meu tempo passar, sorrio, me perguntando se Camões também se consolava romantizando seus traumas. Isso, porém, é outra coisa que não nasci para aprender.

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