Insatisfação corporal e o ganho de peso

Estou aqui reflexiva sobre vários assuntos que estão passando pela minha cabeça. Minha vida durante essa semana foi uma loucura, passei por uns apertos, dos quais,  graças a Deus consegui me livrar com destreza e agilidade. No final de semana, mais especificamente no sábado, encontrei uma amigona que estava sumidinha… sumidinha bem naquelas, sabe? A gente se encontra de pingadinho, uma hora aqui e outra ali, mas nunca paramos para conversar.

Não sei se cheguei a comentar com você. Estou em uma vibe de correr atrás das pessoas das quais me importo e, com ela não foi diferente, grudei no braço da mocinha e fomos caminhando pelas ruas de Campo Grande. Passeamos por diversos momentos de nossas vidas, mas logo cheguei em um ponto que considerava importante, a sua insatisfação que era bem visível. É difícil não estar se sentindo bem com algo que infelizmente você não pode mudar em um estalar de dedos, sabe? Eu, por exemplo, demoro para me acostumar com os monstros que a minha própria cabeça acaba criando para me assombrar (claro que por pressão social), mas acho que me viro bem…

Não sou mais de sofrer, mas vejo que a maioria das pessoas não sabem lidar com mudanças sobre as quais não têm controle. O ganho de peso, por exemplo, é um assunto que traz uma devastação mental, principalmente mulheres, que são cobradas o tempo inteiro… Muita gente acha que isso é mimi, mas a nossa autoestima pode interferir de ‘N’ maneiras no nosso dia a dia. Por exemplo, essa minha amiga sempre foi muito alegre, amava encher o feed do Instagram com fotos de lookinhos maneiros e coisas cotidianas que fazia. Sempre com uma exaltação pessoal característica, só que a sua presença diminuiu tanto na vida virtual, como na social, o que mais me preocupa. Isso aconteceu, pois seu corpo mudou, e ela não soube lidar com esse fato. A insegurança veio com uns quilos a mais e, isso mudou sua forma de se mostrar para o mundo. Um corpo que antes não tinha medo, hoje já não sente a tranquilidade que tinha. É engraçado como quando menos esperamos, algo vem e nos tira dos trilhos, né?! Mas é apenas uma questão de tempo para ver que não é um problema sair deles, pois aprendemos muito quando  não estamos na nossa zona de conforto…. Você só precisa saber ver as coisas de outra forma!

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Queria que minha amiga se enxergasse da forma como a enxergo. Creio que isso não seja nada fácil, pois ao entrar nesse looping sem fim, travamos um impasse interno no qual nós somos nosso próprio inimigo. Passa a ser difícil voltar a amar o próprio corpo depois que você passa a odiá-lo. Por isso é preciso o exercício diário da autoaceitação e do amor próprio.

Nosso corpo é a nossa fortaleza. Quando mente e corpo não estão em sintonia, tudo se desequilibra. Além da infelicidade interna, existe ainda a externa proporcionada pelas pessoas. Geralmente os outros reagem às nossas mudanças de forma grotesca, com comentários desnecessários e com uma carga de negatividade imensa. Não sei se o objetivo dessas pessoas é machucar, mas se for, pare, porque isso é destrutivo!!!!

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As oscilações no nosso peso são mais uma forma de aprendermos sobre o nosso corpo, de nos autoconhecer e entender nossas singularidades. Você tem que aprender que ele só vai estar bem se você estiver. Ele é uma maquina e você é quem o controla. Não deixe que nada faça com que essa maquina enferruje, ou tenha que ir para o concerto, pois só você manda nela. Exercite o seu amor próprio, pois assim nada poderá te atingir, ou se atingir, será apenas mais um motivo para você ter certeza do quão linda você é!!!!

PS: Ajude o seu próximo, mostre que ele é lindo em sua singularidade. E se você perceber que existe uma resistência quando o assunto for aceitação corporal, não toque nele, mas apresente nuances e gestos que leve a pessoa a se abrir e se auto-entender.

Beijos e abraços, Lu.

Preconceito e exclusão (LGBTTQ+)

As notícias sobre homofobia e transfobia na televisão e internet são frequentes, me assusto com o número de matérias que acabam saindo durante o dia. Se a violência com o meu semelhante já me assusta, pensar que aquilo poderia acontecer comigo me deixa em pânico. Acho que olhar de longe traz aquela velha sensação de “nunca vai acontecer comigo”, sabe? Mas o mais engraçado é que quando você menos espera, acontece. Nunca tinha sentido formas de violência e exclusão diretamente, mas já de forma indireta (olhares e afins) isso me machucava muito. O olhar de interrogação é o pior, pois não é legal se sentir uma incógnita, entende?  Não quero ser igual a todo mundo, não preciso me encaixar e, isso é óbvio, mas a sociedade sente essa necessidade de atribuir nomes.

Tenho me impressionado com o número de adeptos ao ódio que atinge milhares de LGBTTQ+’s. Navegando pela internet, principalmente no facebook, encontro pessoas com opiniões distorcidas e o ilusório direito de que podem opinar em vidas alheias. Vídeos de ideologias anti-homossexuais, anti-feminismo e afins têm tomado conta da minha timeline, e isso mostra o quanto as pessoas ao nosso redor estão com sede de permanecer parados no tempo. Muitos dizem que nós LGBTTQ+’s tentamos fazer que  a ‘família tradicional’ engula a “baixaria” que é ser alguém que vai contra os valores sociais, mas ser quem você é não é forma de opressão e imposição, muito pelo contrário… A forma de violência vem desses que têm o discurso do “estou sendo obrigado a engolir isso”, pois é desse grupo que geralmente parte o discurso de  ódio.

Bom, acabei sendo uma estatística, pois agora virei vítima de preconceito e exclusão. Estava com a minha mãe em um determinado local, aonde todos nos conhecem e tratam muito bem. Depois de um tempo vieram me falar que uma cliente simplesmente se recusou a ficar no mesmo ambiente que eu. Me senti mal? Sim, muito. Sabe aquela sensação de impotência frente a algo que você não pode fazer absolutamente nada? Então, esse foi um dos milhares de sentimentos que ficaram entalados na minha garganta. Eu ia agredir da mesma forma que fui agredida? Não, claro que não, nem atrás eu fui. Certas atitudes não merecem nem tentativa de resolução.

 

Quando você passa por uma situação extrema, aquilo marca seu  interior para sempre. Estranho não ter saída, né?! Eu acho… E simplesmente odeio o fato de não ter reação 😦

Acho que mostrar para as pessoas que o preconceito destrói é fundamental, mas isso vem de forma gradativa. Isso é um processo de ensinamentos, sabe? Entendo que existiram gerações anteriores que oprimiam e tinham como crime ir contra os princípios dos bons costumes e afins. O que muitos precisam enxergar é que esses tempos passaram, estamos caminhando rumo ao futuro e, a opressão que antes existia, estamos tentando banir ferozmente. É tóxico taxar e julgar o outro, os cidadãos tem de respeitar as diferenças…. Vamos viver em paz e em harmonia…

Se você é uma pessoa que vê no preconceito uma forma de repelir o que é estranho aos seus olhos, simplesmente pare, pois isso destrói vidas todos os dias. Muitas pessoas morrem pela sua opressão e pelo que você considera certo. O que a maioria das pessoas deveriam entender é que cada um possui uma opinião, um estilo de vida e uma natureza, e ninguém deveria tentar interferir em aspectos tão particulares de indivíduos específicos.

 

Pense muito bem e reflita,

Beijos e abraços, Lu.

Sobre ser mãe na adolescência…

Engravidei aos 19 e, sinto que muito do que fui nesse numeral reina parte de meu corrente corpo de um quarto de século até hoje.

Tal circunstancia é um de meus grandes inimigos pessoais. Por tempos, senti medo de perder uma juventude sonhada desde as janelas banguelas nas gengivas, e, por outros, vivi em desespero essa mesma juventude como quem não podia existir realmente de tal forma. “A mudança é tão da noite pro dia!”, escutei minha própria voz falar tantas vezes quando me falavam sobre a metamorfose da maternidade. E foi genuíno. Continua sendo genuíno. Desde o dia em que meu rebento nasceu com cara de fome, muito antes do momento previsto para rebentar – “mudança de fases na lua, Ana… o bebê desce mesmo” -, me vi nova pessoa, com uma mente infestada de memórias de outras mulheres: as que fui antes e as que me via sendo no depois que viveria em uma vida em que engravidar não estava planejado para acontecer. Como se vive uma realidade dessas sendo tão analista de emoções como sou? Que transição complexa, viver por uma terceira pessoa depois de ter virado uma segunda. “Do dia pra noite”! Até hoje sinto as mudanças do dar a luz se arrastando pelo corpo e pela mente, numa metamorfose instantânea, porém, infinita. Nunca acaba. Até o dia em que sair desta vida milagrosa e espetacular que me foi dada de presente para viver tal metamorfose, sentindo o rasgar nas costas e o perceber que provavelmente me são asas, simultaneamente. Eu saio de mim quando penso em meu filho. Logo eu, que sou de escrever o que me passa pelo espírito por me sentir mais confortável com a língua escrita do que com a falada, perco o controle da anatomia vocal, e comunico por brilhos e sorrisos. Eu finco as raízes no subsolo da vida quando penso em meu filho, em seus dedos me procurando a noite pra dormir sabendo que estou ali, em sua moleira careca dos primeiros meses, em suas próprias janelas banguelas de uma gengiva que nem ao menos começou a pensar sobre perder dentes de leite.

É-me atemporal, ser mãe. Brinco com pretéritos, presentes e futuros, e sou todas elas ao mesmo tempo. Pensar no melhor momento pra falar, pensar em dar o que nunca te deram, querer que viva o que você vê como algo lindo de viver… E entender que muito provavelmente ele vai achar algo lindo pra viver que reinventará tudo que tenho como beleza.

Gosto de como me tira da zona do conforto, ser mãe. Gosto de como me ensina a conviver com o diferente, e a confiar que meu filho vá fazer seus próprios julgamentos sobre as diferentes realidades que o cercam. Gosto do nosso ascendente em sagitário. Gosto de sua lua em câncer, que lhe rende todo um parágrafo sobre “A Mãe” no mapa astral. Sobre tudo: gosto de amar o filho que tenho.

Comparo o texto que escrevo hoje com a carta que escrevi para Luis Augusto em seu primeiro mês de vida. Gosto das diferenças entre ambas. Gosto de me lembrar que em meu filho, pari meu melhor amigo.

À MEU FILHO LUIS AUGUSTO: UM MÊS
     Ternura infinita, e pensar que você já tivera outro destino! Nunca foi tão certo amar, nunca foi tão inexplicável tentar falar sobre um sentimento… A coisa mais bela do mundo é você, Guta, nos poucos detalhes que já me deu nesse apenas um mês de vida completo hoje, e que venham mais milhões de meses, em milhões de vidas. Amo, com a perplexidade de outro infanto, seu rosto que de joelho nunca teve nada, seus olhos que de verde eu juro que as vezes tem algo, suas mãos do bisavô, seus nariz do pai, sua cara de muito bravo (provavelmente da mãe)… Amo em muito tudo! Amo em tudo muito! A certeza de que você vai estar sempre ao meu lado é a coisa mais linda de se afirmar, mesmo quando são quatro da manhã e eu tenho que acordar ao som do seu choro, tendo ido conseguir dormir às três e meia. Juro te educar e te amar com o mesmo carinho que jurei todas as vezes em que sonhei ser mãe. Mas sobre tudo, eu te juro que nunca quis na vida que alguém fosse feliz como quero que você seja. Quero te dar tudo, quero mimá-lo de um jeito que eu me arrependa depois (mas só um pouco), quero estar ao seu lado na primeira palavra, na primeira andada, na primeira escola, no primeiro coração partido… Quero ser amiga mãe, viver por você tudo que não pude viver por ser mulher, te ajudar tanto, mas tanto, que você vá se irritar! Quero seus sorrisos sempre, e quando acontecer uma lágrima, quero-a pra mim também, em meu peito, para limpá-la para bem longe de você. Quero pra você honra, respeito, amor, felicidade… Quero-o homem. Quero em você, tudo que sonhei nos outros. Quero você com a mesma sinceridade que quero minha mãe, meu pai, meus irmãos, seu pai, seus avós, sua família. Quero que você veja nesse círculo de pessoas, sempre braços abertos. Sempre, sempre um lar sem muros. Quero logo você.
     Feliz primeiro ‘mesverário’. Com TODO amor, mamãe.
27-05-12
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Você já perdeu alguém que gostava muito?

Recentemente recebi uma notícia que me chocou. Estava na aula e um amigo ligou para me contar que uma amiga, que já não era tão próxima, tinha morrido. Cara, nunca tinha perdido amigos, e sempre pensei que seria tranquilo, que saberia lidar com isso, mas foi tudo muito diferente.

É raro começarmos amizades pensando que elas vão acabar, mas mais ainda pensando que algo de pior aconteceria. Quase ninguém tem uma conformidade com a morte, e o que mais machuca, é a incerteza “será que ela está bem agora? será que a sua dor melhorou?”. O desconhecido traz muito medo, pois aqui na terra tudo é tão certeiro, exigimos certeza quase 100% do tempo, pois assim aprendemos da nossa infância até a vida adulta.

Quando alguém te pega de surpresa com uma notícia muito ruim, existe ainda um tempo para digerir aquilo, entender o que aconteceu e ter reação, sabe? A primeira vez que perdi alguém importante pra mim foi nesse ano, 2017. Minha tia nasceu com deficiências sérias e sobreviveu até os 50 e poucos anos. Sempre estive muito presente em sua vida. Sua morte foi no início do ano, e foi realmente uma surpresa. Por mais que ela já estivesse debilitada, nunca esperaria com certeza que ela partiria, até que aconteceu. E no final desse ano não foi muito diferente. Quando fiquei sabendo do ocorrido com a minha amiga, fiquei sem reação, depois senti um vázio e este começou a escorrer pelos meus olhos em forma de lágrimas. Choro muito raramente, mas foi inevitável, principalmente ao lembrar do jeito meigo…. fica saudades!

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Sabe uma coisa que acho extremamente ridículo em nós seres humanos? A forma como demonstramos carinho. Nós não demonstramos o bastante. Não aproveitamos completamente cada momento e, só quando perdemos, percebemos o quanto poderia ter sido melhor. Outra coisa que me deixa sem reação é o sentimento de impotência, conhece? Aquele do “eu não sabia o que estava acontecendo”/”eu poderia ter ajudado”…

Acho também que o ato de “tentar entender” e “colocar-se” (ser altruísta) no lugar do outro é fundamental… é fácil falar, eu sei, mas pelo menos o tentar, é preciso. Quando você está em uma situação em que não entende, em que não sabe o porque aconteceu e sobre a qual você não tem o controle, o desespero vem, o despreparo aparece e tudo vira de cabeça para baixo, é normal. Por isso é tão importante procurar ter altruísmo, compaixão, não julgar o outro (o que muitas pessoas fazem logo após acontecer uma tragédia) e tentar, ao máximo, entender. Pelo menos comigo é assim, essa foi a melhor forma para eu lidar com situações que me pegam despreparada (situações sérias).

Gostaria de aproveitar mais os momentos e as pessoas. Não queria que certos aspectos passassem despercebidos. Desejo ser uma pessoa mais perceptiva, com mais compaixão. Quero enxergar as dificuldades das pessoas e poder ajudá-las de uma melhor forma. As vezes por tão pouco brigamos, paramos de falar e/ou transformamos uma relação que  antes era ótima em nada. É muito importante saber que tudo é incerto nessa vida, relações, pessoas, sentimentos e afins. E o que está lá, hoje, não te garante que vai continuar no mesmo lugar/da mesma forma como deixou. Tudo é volátil. Não se sinta impotente e permaneça nesse sentimento, vá atrás e veja o que pode ser melhorado. Não digo isso apenas para você, mas principalmente para mim… Acho que gravar isso em meu blog/diário faz com que vire um mantra na minha vida.

PS: O CVV funciona como um canal de prevenção ao suicídio. Pessoas que pensam em tirar a própria vida podem fazer contato pelo telefone, pelo número 141, e-mail ou Skype, e até pessoalmente. Os voluntários estão dispostos a ouvir e o sigilo é garantido.

 

Beijos e abraços, Lu.

#MoverFashion: Desfile Laboratorial UNIDERP; Art Intervenção – Genivaldo Amorim stylist Luiz Gugliatto.

Domingo (22/10). Infelizmente já é o último dia. Eu sinto falta de me sentir perto da moda e esse evento foi o mais perto que consegui chegar de uma moda conceitual, de um desfile embasado na arte. Aproveitei muito esses três dias de Mover Fashion, pois durante os talk shows aprendi sobre moda e comunicação com o público. Interessante, não acha? E sim, a moda é uma forma de se comunicar, até fiz um post sobre isso lá no comecinho do blog!!

Nesse último dia estive presente no desfile laboratorial da UNIDERP e na Art Intervenção do Genivaldo Amorim em parceria com o stylist Luiz Gugliatto.

Durante o laboratório da UNIDERP me surpreendi com poucos estilistas… Não sei se porque falta singularidade, uma identidade, ou um tipo de segurança que a própria faculdade deveria garantir para o aluno. Poucas peças tiveram um acabamento legal, um caimento interessante ou um design caprichado. Eu sei que para desenvolver peças com um bom tecido, com um corte bem feito e com um caimento perfeito exige um estudo muito aguçado e investimentos pesados. Em meio a tantos estilistas, me surpreendi com um que desenvolveu vestidos de festa. Suas peças possuíam movimento, presença e um visual de qualidade, sabe?! Amei… Não consegui tirar fotos, só gravei uns vídeos belíssimos, mas infelizmente não consigo postar aqui no wordpress 😦

Estou me perguntando se minhas críticas foram duras, se acabei pegando pesado no gatilho…. Mas cheguei a conclusão que não, pois meu objetivo é ser construtiva, é mostrar a minha opinião através do meu blog afim de ajudar. Acho que isso que me da tanta liberdade, saber que essa página é minha e ter autonomia para postar meus textos opinativos. Estava lá, vi muitos modelos de roupas e percebi que eles precisam ser aperfeiçoados… não existe nenhum equívoco aqui, certo?!

 “Bicho de corpo mole, mas de pele boa”

O corpo, que atravessa grande parte da produção de Genivaldo Amorim, se manifesta nas mais diversas linguagens como desenho, pintura, escultura e instalações. Em “bicho de corpo mole, mas de pele boa”, o corpo atinge a camada da pele, de suas utilidades, das suas formas e visualidades e que através da pele vermelha sugere infinitas camadas significativas da cor: sangue? Amor? Violência?

Para além das camadas do significado, a pele do bicho se “presentifica” diante de um incomodo ético do artista com o universo da arte. Ao final de cada exposição, as peles vermelhas feitas de tecido são reconstruídas em objetos e roupas para o uso cotidiano na tentativa de torná-la mais acessível ao público. Fugindo de um utilitarismo, a pele boa ganha um ressignificado que faz o objeto artístico circular fora de circuito estabelecido e fechado da arte, rompendo com o espaço expositivo e com a dicotomia expectador-objeto. Se o corpo do bicho era mole, agora com a pele boa ela se sustenta.


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Fiquei sem palavras quando o desfile de Art intervenção começou. As peças falavam por si só… a pele do bicho de corpo mole parecia transmitir uma certa agitação aos meus olhos, não sei, senti algo diferente. Amei a disposição das peças, o desenho e afins. Fiquei completamente encantada!!!! Acho que essas camadas significativas ficaram embaralhadas na minha mente e foi isso que me fez ficar com essa sensação de agitação/confusão mental… Uma hipótese e tanto, não?! Aplaudi em pé… Mas roupas com uma carga signicativa tão grande, aliadas à um styling incrível não têm erro, não é mesmo?! Fiquei muito emocionada com o conceito e tenho certeza que esse foi o desfile certo para fechar o evento com chave de platina!

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Só peço que a próxima temporada seja tão boa ou até melhor que essa!!! Espero que você tenha se deliciado com esse evento, assim como me deliciei, e que tenha gostado da cobertura que fiz aqui no blog…. ❤

Beijos e abraços, Lu.

#StayYellow: O meu paraíso.

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Eu estou no meio da multidão. Nela, eu tenho meu espaço. Não apenas o espaço que eu ocupo, mas o espaço das minhas diferenças em relação a todos à minha volta. Vivo a vida com a minha cabeça me transportando em pequenos flashes para o meu mundo de êxtase, em que eu sou a rainha e tudo está de bem comigo. Lá, o meu corpo é o meu maior sinal de paz. Paz comigo mesma, eu quero dizer. Tento viver no mundo dos outros com a mesma confiança em que eu vivo no meu. É um exercício que eu aprendi a fazer com a praticidade e inocência de uma criança sem nada com que se preocupar. Às vezes, eu ainda consigo me surpreender com essa minha capacidade.

Me olhei várias vezes no espelho antes de sair de casa naquele dia. Reparei em cada centímetro meu, alguns ocupados pelos tecidos e costuras; outros, apenas de carne, gordura, pele e osso. Passeei com meus olhos sonolentos por cada curva. Pelo meu quadril avantajado, minha cintura fina, minhas coxas grossas e a ausência de espaço entre elas. Pelo tronco delicado e feminino. A regata M me ajusta e mostra a desproporcionalidade da minha forma, em que os pneuzinhos estão presentes, mas os seios estão ausentes. A cintura alta dos meus jeans define o meu corpo de uma forma quase poética, e não tem um instante em que eu não me olhe no espelho e não me sinta orgulhosa de tê-los adquirido. Eles parecem intrínsecos ao meu corpo. Eu e ele somos eternos namorados. Naquele momento, é quase impossível me incomodar com o fato de eles serem tamanho 46. Tamanho não é documento, eu penso ao amá-lo em volta de mim.

Eu caminho pelo mundo me sentindo perfeita, tudo dentro e fora do lugar. A pose ereta, os quadris balançantes no ritmo hipnotizante de um desfile. Entro tanto no meu personagem empoderado, que é quase impossível de não se reparar, e me contento por deixar explícita a autoconfiança que sempre quis ter quando algum dos meus amigos me nota.

“Eu amo o seu jeito de andar desfilando. Queria andar assim que nem você.”

Eu rio, corada, fingindo não saber do que ele está falando.

“Mas eu só tô andando.”

“Minha querida, você tá seduzindo esse lugar inteiro.”

E é incrível pensar que talvez eu esteja fazendo aquilo mesmo. É de uma energia intraduzível, forte o bastante para ser insuportável, tão presente na minha corrente sanguínea ao ponto de me dar pequenos choques de euforia. Faço poses descontraídas e espontâneas, me exibo de uma forma que eu sinto vergonha de fazê-lo normalmente. Sinto minhas calças se apertarem na minha barriga como se me abraçassem em comemoração. Meu peito se enche de ar, egocêntrico, arrogante, e não me sinto mal. Aquela noite é das minhas formas. Estou longe do padrão, mas estou além de satisfeita. Tudo estava fora do lugar, e eu amava.

Aí, passou.

Eu acordo, inebriada debaixo dos lençóis. Apenas minha cabeça tem forma para mim. Meus braços, pernas e ombros não têm peso. Não assimilo quem eu sou. Naquele instante, apenas um corpo flutuando em um colchão, longe de existir. É um bom sentimento perto do que está por vir. 

Eu assusto aquele limbo de perto de mim ao me levantar. O espelho está ao lado da minha cama, e nele, tenho o primeiro contato com a realidade. Furos, furos e mais furos. Não verdadeiros furos, que sangram e me matam aos poucos, mas furos que formam depressões na pele das minhas coxas, que tornam o caminho mais difícil, como uma estrada esburacada. Seria tranquilo se eu me referisse àquela dificuldade só no sentido literal, mas vai além do que realmente é. Elas me matam, sim, mas de desgosto.

Esse é o meu dia ruim, eu penso, fitando obcecadamente o acúmulo de gordura no meu estômago, o qual o short do pijama não cobre nem que eu o puxe para próximo dos meus seios. Viro de lado. Pareço um monte de lama empilhada e pronta para servir para uma escultura. Viro de costas. A grossura das pernas e os furos nelas apagam o meu amor pela minha parte de trás. As dobras das costas se mostram quando eu me torço levemente para o lado. Os braços parecem dois pães. Quero arrancá-los com uma faca. É o único pensamento que me vem na cabeça.

Visto mangas longas naquele dia. Nenhum decote à vista. Os jeans são pretos e discretos. Evito de abrir o Instagram e me deparar com vales formados pelos seios sem sutiã, as peles lisas em biquínis. Até rio sozinha com a possibilidade de eu entrar em algum deles no próximo verão. Só consigo me imaginar debaixo das cobertas, o ar condicionado cobrindo qualquer resquício de calor e oportunidade de me expor além do que as pessoas precisam ver. Ninguém quer me ver em um biquíni, ninguém precisa ter a visão das pelancas do meu quadril saindo pra fora do tecido. Todo mundo está bem comigo longe desse cenário. Eu estou bem fora desse cenário. Quer dizer, é melhor eu ficar de fora dele para não me sentir ainda pior.

Quando chego em casa, me deparo com aquela visão novamente. A visão das gorduras, das coisas minimamente caídas, dos pequenos relevos e depressões. O flashback das vezes em que eu tentei entrar em uma calça 44 me assombram por alguns milésimos de segundo, e eu luto contra o ar que me falta. Arranco minha roupa, e me encaro como uma mãe encara um filho para chamar-lhe a atenção sem precisar abrir a boca. O sutiã sem bojo é uma arma para eu não tentar forçar os meus seios a formar o desenho perfeito de um vale. Me dá a falsa sensação de que eles apenas são pequenos, e eu me agarro àquela verdade. A calcinha de cintura alta esconde tudo. Esconde o excesso. Me dá o formato de pêra que eu quase sempre amo em mim mesma. E os furos continuam ali. Ninguém se preocupou em fechá-los, apesar de eu saber que aquilo depende só de mim.

Eu posso vestir 44 se eu quiser. Posso vestir 40, 38, até um 36 se eu me esforçar tanto. O “problema” (pra não dizer “a solução”) é que eu não quero isso. Não quero me desvencilhar das curvas da minha beleza porque alguém acha que eu preciso, porque alguém botou na minha cabeça em algum momento da minha vida que é aquilo que vai me fazer realmente feliz comigo mesma. Eu não quero dar aos outros a felicidade de me ver entrando nos seus moldes porque eu mesma não fui capaz de enxergar o lindo naquilo que eu sou. Não quero dar a eles o prazer de me ver jogando no lixo as lembranças dos dias de vaidade, de deslumbramento, em que eu não precisava me mutilar e me esconder de ninguém. Em que eu empinava o meu quadril e botava a mão na cintura. Não quero abrir mão do meu andar rebolado, da minha excentricidade, da sensação sufocante que é estar me sentindo maravilhosa.

É esse pensamento que me mantém do jeito que eu sou, no meu manequim, quando os dias ruins me perseguem. O pensamento contrário à escravidão dos corpos, à perda da minha identidade. A ideia de que eu sei me sentir perfeita, de que eu não preciso travar uma guerra comigo mesma, de que eu vou estar me matando se fizer isso. De que eu vou estar destruindo todo o mundo que eu mesma criei.

E então, eu confio em mim mesma.

#MoverFashion: Talk Show com a consultora de estilo Adriana Estivalet; Desfile dos designers contemporâneos de Campo Grande.

Sábado (21/10). Para quem ainda não sabe ou não viu, o Mover Fashion é um evento de moda que está ocorrendo aqui na capital, e se estende até amanhã. O primeiro dia de evento já saiu aqui no  blog, para ler basta clicar aqui. 

Hoje a vez de falar foi da Adriana Estivalet, famosa consultora de imagem e estilo que já trabalhou/trabalha com grandes marcas do mercado, como Enjoy, Dudalina, Polo Play, entre outras. Além disso, por seu trabalho ser reconhecido nacionalmente, já saiu em diversas mídias, dentre elas, o portal ‘R7.com’ e ‘M de Mulher’, portais de grande visibilidade no país.

Durante o evento a Adriana tocou na tecla de que o consultor de vendas tem que estar sempre muito bem antenado para atender o cliente, pois este está envolto em um mundo de referências. E realmente estamos sempre sendo bombardeados com informações, inspirações, referências e afins. Hoje a qualificação do consultor deve ser constante, pois estamos em uma época em que sabemos tudo que está acontecendo ao nosso redor, e se quisermos nos aprofundar mais em algum assunto como a moda, por exemplo, basta dois cliques para acharmos livros, faculdades onlines e meios de obter conhecimento. É engraçado pensarmos que tudo “parece” estar ao nosso alcance, né?! Falo que parece, pois não temos condições iguais, e a renda ainda é fator importante para a obtenção de certos conteúdos, infelizmente.

Mas muito tem mudado em relação a oferta de conteúdo online, por mais que ainda exista uma grande exclusão, a possibilidade de achar conteúdo na WEB é muito maior do que achar o material na versão física. Louco, né?! É interessante que tanto a Mônica Salgado, quanto a Adriana, parecem ter um ponto de vista semelhante. Isso mostra que estamos chegando a um consenso, lembrando que não são quaisquer pessoas que estavam falando, são mulheres que estudaram e ainda estudam sobre o assunto. Além do mais, esses aspectos estão escancarados aos olhos de quem quiser ver, basta estar vivenciando o mundo online e a sua diversidade de conteúdo.

Logo após o Talk Show começaram os desfiles. Dessa vez quem tomou conta da passarela foram os novos designers aqui da cidade de Campo Grande. Esse novo reduto de designers é formado pela Canarito, Chroma, Enlace, Ludic, Mauro Yanaze, Mi Corazón, entre outras…

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No meu instagram (me segue lá: @lua.blog <3) até fiz uma cobertura bem maior, com vídeos, boomerangs, entre outros, o que deu uma visão mais panorâmica dos desfiles, das roupas e da estrutura do evento. A marca que mais chamou minha atenção foi a Mi Corazón. As peças deles apresentam uma brasilidade e fluidez lindas. Confesso que não conhecia, mas aplaudi muito quando vi os primeiros macacões sendo expostos na passarela. As coleções  das marcas possuíam esse ‘Q’ de verão, com tons quentes e fluidez. As estampas estavam super presente, principalmente na Canarito, que abusa do visual em suas peças.

O look que escolhi para o segundo dia foi uma calça que cortei para usar como saia, uma blusa de lurex vermelho, um adidas branco e uma bolsa vintage handmade que comprei, pois achei muito um inspired da Fendi. Amei o lookinho, ficou tudo!!!!

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Depois do evento fui em uma festa a fantasia. Tive que mudar meu look para ficar um pouco mais confortável, e dar um retoque na minha make.


Glória Groove. Para quem não sabe, eu era Drag Queen, e a glória era uma das minhas maiores inspirações, foi durante essa festa que a conheci. Além de linda, ela é simpática, humana e super engajada. Procurem sobre essa maravilhosa, pois ela não é só  beleza não hein!!

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Meu dia foi bem corrido, mas no final de tudo da um cansaçozinho gostoso, sabe?! Não fiz nada que eu não goste de fazer, muito pelo contrário, só estou conseguindo bons frutos… Só tenho a agradecer.

Beijos e abraços, Lu.