Resenha: As paletas de sombras INCRÍVEIS da Colourpop

Nichole não é só texto profundo, não. Nichole também é vício em maquiagem, meus anjos! (haahahaha). Fico muito feliz por ter um espaço aqui no Acid pra poder falar sobre isso também. Aliás, o Acid anda sendo um refúgio maravilhoso para o compartilhamento de coisas boas. Sou muito grata a Lu por isso, e espero fazer um trabalho legal pra todo mundo que acompanha a gente aqui no blog.

Bom, como primeiro post eu resolvi falar de uma das minhas maiores obsessões: a marca Colourpop. Pretendo fazer outro post sobre ela em breve, mas hoje, quero falar sobre o fenômeno que anda rondando todos os grupos de maquiagem que participo: as paletas de sombras da Colourpop. Esta é uma marca americana muito acessível, que entrega no Brasil, e que anda soltando muitos produtos MARAVILHOSOS por aquele preço que a gente ADORA! Preço de Vult, gente! Uma marca americana que, convertida pra real, consegue ser extremamente barata para a qualidade que ela proporciona.  Incrível, né? “Mas e a importação, Nichole?”, você me pergunta. E eu digo: CALMA, que a gente vai falar sobre isso no outro post que eu vou fazer sobre a marca aqui, mas também vou pincelar um pouquinho ao fim do post. Mas vamos falar sobre as paletas, né?

As paletas da Colourpop começaram a ser lançadas somente esse ano. Antes, a marca apenas vendia sombras unitárias e, às vezes, algumas paletas de quatro cores, mas bem básicas. A primeira a ser lançada foi a Yes, Please, que tem tons mais quentes e alaranjados. Foi um hype tão grande que a paleta deveria ser de edição limitada, mas as pessoas se apaixonaram por ela. Esta é uma paleta que segue o estilo do momento, com o trend dos sunset eyes e das sombras alaranjadas. A paleta parece bem maior por foto do que é realmente. Na realidade, ela cabe quase inteira em uma mão. Porém, a qualidade e o preço da mesma torna ela um item que vale muito a pena.

Eu peço perdão pelos swatches horríveis, e que não fazem jus a qualidade da paleta. As sombras são muito pigmentadas, de um jeito que você precisa bater um pouco o pincel em algo duro antes de aplicar no olho, pra tirar o excesso, e ainda assim, acaba indo demais pro seu olho. As sombras esfarelam um pouco. Dá até pra perceber pelo jeito que a minha paleta tá manchada, né? A embalagem branca é um dos únicos defeitos que a paleta tem, porque acaba ficando feio e mancha muito fácil. No dia que ela chegou aqui em casa, eu já acabei manchando a parte de fora, e não saiu mais. Mas em relação as próprias sombras, são magníficas e esfumam com muita facilidade no olho, independentemente do pincel que você usa pra isso. As sombras metálicas são muito brilhosas e nem necessitam de água pra ficarem mais brilhosas no olho. É a paleta essencial para quem ama essa moda dos tons quentes, pois os looks serão inúmeros. Na verdade, até quem gosta de algo mais neutro também consegue brincar com ela. A variedade de combinações na Yes, Please é extensa, e isso me fez ficar apaixonada por ela.

A segunda paleta a ser lançada pela Colourpop foi a She, uma colaboração com a atriz Karrueche. Ela é bem, bem, BEM rosada, e tem tons bastante românticos, que vêm da própria coleção da Karrueche, que remete a algo mais feminino. Ela é uma paleta um pouco mais difícil de trabalhar, por ter apenas quatro tons opacos, então os looks acabam ficando mais do mesmo, e esse é o seu maior defeito: não existem variedades de combinações. É uma ótima paleta de apoio, caso você já tenha várias cores neutras e queira dar uma ousada no look, principalmente por conta das suas sombras metálicas, que são simplesmente maravilhosas e cremosas. Eu comprei ela porque queria algo mais rosado, mesmo sendo uma garota mais puxada pros tons neutros, e foi amor à primeira vista, principalmente por conta da qualidade, que é impecável. Se você ama esses tons mais rosas, mergulhe nela!

Alguns looks com as duas paletas:

Yes, Please (Fonte: Colourpop/Instagram)
Yes, Please. (Fonte: Temptalia).
(Fonte: Colourpop/Instagram)
Yes, Please (Fonte: Colourpop/Instagram).
She Palette (Fonte: Colourpop/Instagram)
She Palette (Fonte: Taya Sunaz/Blogspot)
She Palette: (Fonte: Alissa Ashley/Youtube)
She Palette (Fonte: Colourpop/Instagram)

A Colourpop não para de lançar paletas novas, e que doem no meu bolso quando aparecem no meu feed do Instagram. Tem para todos os gostos. Neutros, arroxeados, brilhosos, tudo o que você puder imaginar. Recentemente, adquiri a “You Had Me At Hello”, e ela ainda não chegou pra eu poder mostrar pra você. Mas no post que eu fizer sobre toda a marca da Colourpop, eu coloco ela aqui para você verem.

Em ordem da esquerda para direita, de cima para baixo: Double Entendre, Yes, Please, She, Element Of Surprise, You Had me At Hello, My Little Pony, All I See Is Magic e I Think I Love You. (fonte: Colourpop/Instagram).

As paletas de doze cores custam $16 (em torno de R$50), com exceção da You Had Me At Hello, que, por ter um espelho, acaba sendo $18 (quase R$60). Levando em conta que é o preço que se encontra em algumas paletas de sombras brasileiras de qualidade um pouco inferior as da Colourpop, vale MUITO a pena. A All I See Is Magic acaba sendo um pouco mais cara também por conta do número de sombras ($20, pouco mais de R$65).

Aí você me pergunta: Nichole, como que eu compro isso? Não tenho cartão internacional, eles aceitam boleto? Ok, vamos lá. O site da Colourpop não aceita boleto. As formas de pagamento são cartão de crédito e PayPal. Mas eu mesma, não tenho cartão de crédito internacional. O que eu tenho? O Ebanx. Um cartão pré-pago digital internacional, em que eu deposito dinheiro pra fazer minhas comprinhas lá. Legal, né?

Quanto à importação: eu nunca fui taxada com a Colourpop, mas também nunca comprei acima de sessenta dólares. Recomendo que faça o mesmo pra não correr tanto risco. Quem não quiser correr risco algum, várias lojas, como a TagStore, vendem as paletas, mas o preço é BEM mais salgado, em torno dos 120 reais, então não sei se vale a pena.

Espero que tenha gostado da resenha! Beijão.

 

 

 

#StayYellow: Um ano de transição

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(fonte: Pinterest)

Eu quero acreditar que esse ano foi de transição. Aquele monótono, com perdas grandes e decepções, mas que serviu para que o próximo seja um ano de ações. Foi honestamente como se eu tivesse ficado 365 dias em uma tela em branco, e as coisas se pintaram em tons cinzas. Algumas vezes, tive flashes da luz do sol no meu campo de visão, mas que foram substituídos por mais nuvens, algumas quase negras, outras que serviram para me dar um susto, mas logo foram embora. E como todo ano, me fez suspirar e dizer “É, não foi fácil”.

E me assusta como tudo mudou tão rápido e o tempo todo. Comecei achando que tudo seria incrível. Minha cabeça estava controlada, eu estava fazendo novas amizades, me sentia bem com a minha própria companhia e meu trabalho estava sendo reconhecido. As pessoas confiavam em mim para lidar com os temas que eu mais amo lidar. Eu confiava em mim para fazer isso.

Mas com a calmaria, veio a tempestade. Perdi amigos. Perdi amores. Esses, nem sempre serviram para o posto, mas com a minha mania de exagerar tudo o que aparece para mim, foi como se eu tivesse perdido um mundo inteiro toda vez que alguém passava pela minha vida e decidia não ficar. Perdi oportunidades e comecei a sentir que estava perdendo tempo e desperdiçando o meu talento e a expectativa que os outros colocavam em mim. Sucumbi rapidamente. Como se um tapa na cara me acordasse para as coisas ruins, para o pessimismo. E eu me enfiei nele como se fosse uma coberta que me livrasse de novidades que me assustavam e me davam ansiedade. Tudo o que eu acreditava antes foi destruído, e eu precisei de outro tapa para acordar e, mesmo atenta, ainda segui sem confiança. Ainda sigo. Não sei o que me espera, e isso me assusta. Não sei se sou capaz e isso me mata um pouco por dentro. Mas sei que não estou sozinha.

E esse foi o meu maior presente em 2017. Saber que eu tenho pessoas. Saber que eu nunca vou cair e não ter alguém para me ajudar a levantar e curar o meu machucado no joelho. Saber que existe alguém que vai balançar os meus ombros e me dizer que eu tenho capacidade para terminar tudo o que eu comecei da melhor forma. Que eles estarão lá para me ajudar a fazer isso. Chorei muitas vezes, por vergonha de admitir a eles que eu falhei e que eu precisava de ajuda. É difícil aceitar que eu falho e, por isso, tinha medo de ser julgada. Mas não havia por que eu me prender tanto ao perfeccionismo, porque ele não é possível quando se age sozinha. E é isso que eu preciso entender em 2018.

Outra coisa que eu percebi foi o quanto eu preciso ajudar as outras pessoas. E como elas precisam não só da minha ajuda, mas da ajuda de todas. É algo pelo qual eu pretendo batalhar verdadeiramente em 2018 e em diante: as pessoas precisam de ajuda. Elas precisam se sentir bem. Elas precisam vencer qualquer insegurança que as deixe penduradas em sua própria vida, e eu quero estar presente nessa luta o máximo que eu puder. É uma urgência dentro de mim que eu mal consigo explicar ou justificar de maneira racional. Mas é o que eu preciso fazer.

Eu me maltratei muito nesse ano. Exigi de mim coisas incompreensíveis para qualquer um. Me esforcei até o limite da minha capacidade mental, ou mais além do que isso, como se martelar os meus pensamentos com toda a minha força não fosse me fazer mal. Me coloquei pra baixo contra minha própria vontade, estraguei coisas sem que eu mesma percebesse que havia estragado. Fiz tudo isso de graça. E depois de um tempo, percebi que nada foi de propósito. Que aquela não era eu. Que eu precisava me cuidar.

Tive segundas chances em 2017. Várias, em vários aspectos. Tive últimas chances também. Essas, a maioria eu desperdicei, e ainda estou procurando superá-las e procurar novas chances. Mas é complicado para alguém cabeça dura como eu. Sinto que sempre perco a melhor oportunidade que poderia me aparecer, e que nada igual irá cruzar o meu caminho. E agora, com outro ano entrando, a expectativa não me consome mais. Pois com o tanto de vezes que eu a utilizei esse ano, duvido que haja alguma restante. E isso é bom. Nada é muito bem aproveitado quando se existem milhões de esperanças depositadas.

Então eu sei que meu lema em 2018 será: faça o que puder. Não se consuma por coisas pequenas. Viva a vida do jeito que ela vier. Não se desespere antes do tempo. Agarre o que tiver no seu caminho, mas solte se perceber que nada de bom virá daquilo. Cuide de você, da sua saúde e da sua autoestima. Não se sinta mal por não ter conseguido as coisas, isso não significa que você não é o suficiente para elas. E se se sentir insuficiente, saiba que você é mais do que suficiente para um mundo inteiro de coisas. E é isso que deve te motivar. Isso, e a sua capacidade de ser uma pessoa maravilhosa.

2018 vai ser seu. Seu para descobrir, para inventar, para surpreender e ser surpreendido. Vai ser seu para se conhecer ao máximo, e é isso o que deve ser mais importante. Você.

 

#StayYellow: Novas chances

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Fonte: Pinterest

A sensação de solidão que me assombra todos os dias me afoga em uma escuridão cercada de vozes estranhas e silhuetas. Eu estou literalmente no meio delas. Meus pés doem e querem ceder por conta dos saltos que eu já nem mais entendia por que eu havia me dado o trabalho de calçar. Na realidade, só serviam para me mostrar como eu me esforçava por tanta pouca coisa que eu sei que não me daria retorno algum. Não há onde sentar, e eu já consegui tropeçar em todos os degraus que eu consegui encontrar, em busca de qualquer suporte que me dê estabilidade completa, mas eu estou surtando.

É que estou surtando já faz um tempo. Aquele cenário de luz negra vem me perseguindo há semanas, mas precisei que ele virasse realidade para que eu entendesse qual é o meu problema. Todas aquelas sombras me ignoram. De costas, passando reto por mim, elas me julgam e me detestam por eu ser o que sou. Elas sentem nojo de mim. Elas sabem que não consigo manter uma relação sem estragá-la e sabotá-la por completo. Sem duvidar da sua autenticidade, sem desconfiar de cada movimento, cada palavra dita, cada suspiro dado errado. Sem deixar que um pouco do meu lado descontrolado, ansioso, apareça. Como se fizessem por pena, como se eu fosse um estorvo a ser lidado, como se estivessem mentindo, escondendo alguma coisa que possa me ferir. É o lado que muitas vezes me trai, transbordando entre os meus dedos, e que eu tento ao máximo esconder, porque sei de sua capacidade em rasgar todas as coisas boas em pedaços quase invisíveis.

No meio daquela multidão presa na escuridão do meu peito, estão pessoas pelas quais sou apaixonada. E não apenas no sentido carnal da palavra. Me encantei por elas, por tudo o que elas puderam me oferecer. Me encantei com todos os grãos de intimidade que consegui colher, com todas as letras que trocamos. Me entreguei para tudo o que eu não conhecia, e dei a elas o poder de me destruírem. Nem precisaram. Eu me destruo.

Eu vejo toda aquela multidão como pessoas que se arrependem de um dia terem me dado atenção. Sinto sua amargura no topo da minha pele, escorrendo pelos meus lábios. Não duvido de seus motivos, na verdade, eu os sustento. Minha ansiedade os sustenta. Ela grita para mim que eu estrago tudo sempre, que meus defeitos são grandes demais para serem ignorados. Sou desesperada por atenção, carente e desnecessária, superficial e sem nada a oferecer. Sou um mero vácuo na existência de alguém que um dia só pensou em ter algo de importante para se apoiar. Ficar sozinha já não é uma escolha.

Eu transpiro de forma que meus cabelos preguem em minha nuca e quase me estrangulam. Eu encaro as silhuetas como se implorasse para ser resgatada. Uma por uma, tento me desculpar. Uma por uma, entendo onde errei. Quero consertar tudo, mas sei que só vou dar mais chances de decepcionar. Só vou dar mais chances para o meu descontrole emocional cercar e abusar de pessoas que não têm nada a ver com os meus problemas, e que não são obrigadas a entendê-los logo de primeira. Não posso culpar a ansiedade por tudo o que eu faço de errado. Mas às vezes, na sensação de não ser amada de verdade, é a única coisa que toma controle de mim.

Em todos os meus dias, tudo o que eu mais quero é uma chance para mostrar o que eu sou. Uma chance para me redimir e ser perdoada. Não só pelos outros, mas por mim mesma. Sem empecilhos, sem transtornos que me escondem da minha verdadeira personalidade. Às vezes, fica difícil de se encontrar, em meio a tantas preocupações desnecessárias, produtos de pensamentos infinitos, e eu me perco na tradução. Me perco na ideia de que todas as coisas que eu faço são porque eu escolho ser assim. Neurótica, preocupada. Eu não escolho. O meu cérebro me engana, me sabota, me faz sentir que eu perco tudo por conta própria. Me faz pensar que eu mereço ser abandonada, excluída, esquecida. Eu não mereço. Tudo o que eu mereço é de uma chance para ficar em paz com a minha mente, para sentir que eu não sou um encosto, para poder lidar com as coisas sem que eu as estrague. Para poder lidar comigo mesma. Para me entender.

Para me amar.

#StayYellow: Lugar seguro.

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fonte: Pinterest

Meus amigos amam tirar sarro de mim por ser ‘viciada’ em internet. Como se ninguém fosse hoje em dia, mas isso eu não jogo na cara deles. Eu sou muito ativa nas redes sociais e isso não é novidade pra ninguém, então acaba que eu sou taxada como a digital influencer do meu rolê, o que eu acho muito engraçado. Hoje em dia qualquer pessoa é considerada uma digital influencer. Pra você que não sabe o que esse termo significa, é quando a pessoa acaba influenciando outras pessoas a fazerem e pensarem coisas com base no que ela posta e com como ela se comporta nas suas redes sociais.

Pensar que eu posso ser do mesmo grupo que as Kardashians (hipérbole pura), é quase trágico na minha cabeça. A verdade é que eu só sou uma garota que gosta de conversar com muitas pessoas sobre coisas que eu gosto, e a internet me dá a oportunidade de fazer isso livremente, com pessoas que entendem o que eu quero dizer e que tem muito a me oferecer. Acabo fazendo muitos amigos desse jeito, o que aconteceu muito esse ano. Garotas que tinham amor pela maquiagem e aconteciam de ter o mesmo senso de humor e mesmos gostos do que eu se tornaram amigas íntimas, e eu devo muito a internet por isso.

Essa vibe de ser ‘viciada’ em redes sociais começou mais esse ano, depois que eu descobri o poder dos grupos fechados do Facebook. É o tipo de rodinha que você entra e não quer mais sair, principalmente quando o assunto é algo que você sempre quer comentar com alguém, mas não existe alguém para conversar sobre. Era uma modinha que eu desconhecia até então. Lugares obscuros em que você deve respeitar regras de convivência. Querendo ou não, é uma sociedade igual a em que vivemos, mas que se reúnem por algum motivo, então não existe nada de liberdade pura, o que eu admiro.

Fiz parte de muitos grupos esse ano, e assim como amei e amo uns (um em particular), passei a detestar outros. Quando você tem dias ruins marcados no seu calendário, eles te fazem acordar para algumas coisas, e foi em um dia ruim que percebi que a exposição no qual eu me submetia dentro de um só servia para me prejudicar. Lá dentro, você acha que tá livre de julgamento ou perseguição de pessoas que não gostam de você. Dependendo do grupo, isso é real. Mas quando seus interesses mudam, ou o grupo muda, você se perde. Onde eu estava, existia muita gente que só pensava em deixar os outros pra baixo, principalmente depois de saber das suas fraquezas. Era algo tóxico, e que eu não queria mais na minha rotina. Diferente do mundo real, você tem a possibilidade de sair daquele lugar e não precisar mais conviver com aquilo em apenas um clique. Foi o que eu fiz.

Hoje eu só faço parte de um grupo, no caso, um grupo sobre maquiagens, e que foi responsável por fazer minha conta bancária zerar todo mês, e pela minha fama de blogueirinha. Lá dentro eu encontrei minha paixão atual, que é o mundo da beleza e da maquiagem. Lá, eu tenho um certo tipo de popularidade. Não vou dizer que sou a Regina George do lugar, até porque seria ruim, mas tenho muitas amigas e muitas pessoas com quem eu posso conversar, e que vão me ouvir.

As pessoas seguem conselhos meus e se lembram de mim. As pessoas me dão conselhos e dicas que me acompanham, falam de coisas que eu gosto e isso torna o convívio quase viciante. Você não quer sair de lá, principalmente quando tudo parece ruim, e só aquele lugar salva. Foi uma ótima válvula de escape para mim, que preciso lidar com tantas coisas dentro da minha cabeça, oriundas da minha realidade e que me sufocam no dia a dia. Lá, eu me acalmo, eu me divirto, eu me empolgo sobre a vida. Devo muito às pessoas que participam dele. São a minha família.

Parece um pouco exagerado falar assim. Pra falar a verdade, é exagerado. Mas quando se acha um lugar confortável e seguro para estar, você não quer se desfazer dele. Isso aconteceu comigo. Eu achei uma casinha dentro do meu computador, pra onde eu escapo quando as coisas vão de mal a pior, e onde eu sou muito bem-recebida. Não vejo nada de errado em querer se sentir bem, em querer um espaço para poder se dispersar das coisas que te sufocam e te desanimam. Qualquer espaço que faça isso e que não machuque outras pessoas, é um espaço válido. Espero que consiga achar um seu da mesma forma que eu achei.

#StayYellow: Ajude.

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(fonte: tumblr)

Não sei por onde começar esse texto. Falar sobre algo como suicídio é tão delicado de tantas formas. Não se quer machucar quem foi surpreendido por um caso próximo, não se quer motivar quem esteja pensando nessa possibilidade. Só de imaginar que eu poderia ser um gatilho, quero parar por aqui. Dentro de mim, eu sinto que é de uma responsabilidade enorme ser convidada a escrever sobre isso. Tão grande que eu mal sei se sou capaz de lidar com ela. Mas sei que é necessário.

Essa foi uma semana difícil para muitos. Acompanhei algumas reações com o peito apertado e uma vontade imensurável de abraçar todos que sofreram com as notícias, com as descrições e os depoimentos, com o choque de se ter alguém tão perto fazendo algo tão extremo. E eu também sofri. Não a conhecia, mas saber que ela estava tão próxima de mim já me trouxe uma sensação terrível de culpa e abandono. Não faz muito sentido, eu sei. Como eu disse, mal a conhecia. Mas quando penso que estava a passos de poder ajudá-la, eu desabo. Desabo porque penso que eu poderia ter estado lá. Desabo porque sei que não era impossível de impedi-la de fazer o que fez.

Quando se para pra pensar em motivos para alguém tirar a própria vida, nada parece ser o bastante. E nunca é, para falar a verdade. Mas na hora, para quem está lá, é o peso de um mundo inteiro em cima das costas. É uma sensação de sufoco que não parece ser possível de se desfazer, tudo porque já se aguentou tanta tristeza por tanto tempo. Nada parece claro. Ninguém parece se importar. E então, existe a possibilidade de você se livrar dessa tristeza. Esse pensamento vai além do medo, além do que uma pessoa completamente sã é capaz de raciocinar. É um pensamento de alguém que está doente. E ninguém entende isso. Ninguém percebe isso antes de ser tarde demais.

E aqui estou eu, falando de depressão de novo. De uma forma um pouco mais didática, eu espero, não apenas em uma narrativa angustiante de se acompanhar, como foi o meu texto sobre a visita surpresa que a doença me faz de tempos em tempos. Tratar a depressão como uma doença de fato, dar a ela sua devida importância, compreender que, assim como um câncer, a depressão também é capaz de se alastrar, é impedir um suicídio de acontecer. E nossa, isso é mais do que o suficiente.

É preciso entender que a depressão está além do nosso controle, que não se escolhe tê-la para fazer um charminho. Acredite, quem realmente tem depressão não desejaria isso a ninguém. É preciso entendê-la como uma doença que distorce os nossos pensamentos, a nossa personalidade. Entender que ela é forte o suficiente para nos levar a considerar fazer mal ao nosso próprio corpo, e pensar que a dor física vai ser menor do que toda a dor emocional que sentimos o tempo todo. Uma dor tão poderosa que nos paralisa, quase que literalmente.

É preciso aceitar que pessoas depressivas precisam ser amparadas. Aceitar que, assim como todas as outras doenças que existem e podem matar, a depressão também pode matar, e, portanto, precisa de um tratamento. Educar os outros quanto à gravidade dessa doença nunca foi tão necessário, principalmente quando ela já ocupa a mente de 11,5 milhões de pessoas no nosso país (OMS/fevereiro de 2017), quase seis por cento da nossa população total. Um número gritante e triste de se ver.

Sei que eu não fui a única que me senti culpada por não conseguir enxergar a situação de uma pessoa que precisava urgentemente de ajuda. Eu estava longe dela, mas sei que muitos estavam bem mais perto e têm mais motivos para se sentirem tão impotentes. Sei que existem pessoas que acreditam que ela não tinha motivos para fazer o que fez. E realmente, ela não precisava. Mas não porque seu sentimento era inválido. E sim porque havia outra saída. Ninguém disse isso a ela, mas ela conseguiria vencer aquilo. Com todas as suas qualidades, todos os seus trejeitos, ela era capaz de estar aqui hoje e lutar contra o que a frustrava. E ela não estaria sozinha.

Existem pessoas sorridentes em todos os lugares. Existem pessoas gentis, simpáticas, que te elogiam livremente e te fazem sorrir com uma piada ou um abraço. Essas pessoas têm os seus problemas. Essas pessoas se escondem porque acham que não há quem as ajude. Eu preciso ser quem ajuda. Você precisa ser quem ajuda. É nosso o papel de se construir um lugar seguro em nós para acolher essas pessoas.

Ajudar vai além de impedir uma pessoa de tirar a sua vida. É algo a longo prazo. É se preocupar. É estar lá para ouvir. É perguntar sem que a pessoa precise correr até você. É prezar pela vida dela, abraçar suas tristezas e preocupações como algo que as faz sofrer verdadeiramente, não como puro drama. É mostrar a ela a sua importância para o mundo. Mostrar a ela que ela não está sozinha, e nunca estará.

Sinto que nunca é o bastante falar sobre isso. Existem tantas coisas que podem ser discutidas e postas em prática. Tantos jeitos de se empenhar e criar uma campanha humanizada em relação ao combate ao suicídio. Enquanto penso nisso, tento fazer a minha parte. Faço meus textos, chamo a atenção, uso da minha condição para abrir os olhos de quem ainda não sabe o que faz uma garota de 20 anos pensar em tirar a própria vida. E ao mesmo tempo em que faço isso, eu também olho para os lados. Olho para o caos, para a turbulência, para os problemas. Eu olho para as pessoas. Tento enxergá-las por inteiro. E do jeito que consigo, eu as acolho em meus braços. E assim, nos vejo como uma só.

Então, só esteja lá.

*O CVV funciona como um canal de prevenção ao suicídio. Pessoas que pensam em tirar a própria vida podem fazer contato pelo telefone, pelo número 141, e-mail ou Skype, e até pessoalmente. Os voluntários estão dispostos a ouvir e o sigilo é garantido. Me disponibilizo para conversar com quem quer que precise de ajuda. Você não está sozinho.

#StayYellow: A rosa e o grito

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Eu tenho um bico em volta dos lábios que é quase impossível de se disfarçar, mas eu tento. É como se eu tivesse escondendo uma risada de alguma autoridade, mas na realidade, estou expressando o meu aborrecimento. Braços cruzados, sobrancelhas franzidas. Uma figura longe de parecer simpática, perto de soltar fogo pelas narinas. Era o mecanismo de linguagem do meu corpo para transmitir a quem pudesse ver que tudo naquele momento é insuportável para mim. É a única forma que eu tenho de me comunicar sem ser interrompida. É o único resquício de liberdade que eu consigo me acanhar. E apesar disso, eu não espero ser percebida. Seria bom demais para ser verdade.

Ser uma mulher é difícil. Ser uma mulher das palavras, mais ainda. Tive a sorte de nascer com uma língua afiada e dedos capazes de criar mundos. Também nasci com uma rosa entre as pernas, o que poderia ter definido completamente o meu futuro, se eu não tivesse me tornado tão tempestuosa, tão inquieta, tão apaixonada pelas coisas novas e revoltada com os moldes falocêntricos. A minha vida depende da minha expressão. Inteiramente, da forma mais sincera e enlouquecida que se pode imaginar. Eu não sou ninguém se não puder dizer o que sou, o que quero, por onde vim e para onde quero ir. Eu sou a minha voz.

Às vezes eu me odeio por ser assim. Me odeio por não saber calar a boca, me odeio por depender tanto de alguém me ouvindo para ter certeza de que sou interessante. Porque são em momentos como esse, em que eu sou praticamente amordaçada pelos meus próprios lábios, em que um homem tem vontade de pegar brinquedos demonstrativos para me explicar uma coisa que eu sei que sei mais do que ele e posso provar, que eu finjo não me abalar. Eu permaneço firme, rígida, mas por dentro, inútil, desabilitada. Sinto a voz indo embora do meu corpo junto do meu sopro de ar desanimado. A própria Pequena Sereia forçada a assinar um contrato com o termo BURRA abaixo da linha em que eu deveria colocar o meu nome antes de ter a voz roubada. E eu prolongo isso.

A confusão entre querer rebater e não ter forças para isso faz a minha cabeça doer. Abro a boca, pensando em algo que possa surpreender, uma crítica de efeito brilhante sobre literatura e construções de narrativa. Por dentro, me sinto maravilhosa. A mulher mais interessante desse mundo. Alguém que sabe misturar coisas sérias a piadas e memes, que não se prende ao superficial sem levar consigo sua bagagem cultural.

Crio coragem, esbravejo. Espero por uma reação, e recebo em troca o silêncio. Já era de se esperar. E mesmo assim, me sinto péssima.

Então me fecho completamente dentro dos meus pensamentos e dos meus braços cruzados por cima do tronco. Caminhamos pelo saguão do shopping enquanto ele escolhe divagar por seus gostos e interesses, e eu permaneço sozinha dentro de mim. Os minutos passam, e com eles, a minha vontade de estar acordada, ali, do lado de um cara que só está esperando o momento certo pra me mostrar a minha verdadeira utilidade pra ele, além de ouvir todas as merdas super interessantes que ele tem a dizer.

Apenas quero dizer a ele que eu o odeio, que me arrependo de algum dia ter achado que saberia lidar com uma pessoa tão egocêntrica, e que ser machista não é só bater em mulher. É desprezá-la como uma pessoa pensante. Coisa que ele faz comigo. Quando percebo, já disse tudo aquilo para ele, vomitando o meu ódio e minha frustração em seu colo.

Sinto meu rosto queimar em raiva e o suor brotar nas minhas têmporas. Estou de olhos arregalados e ofegante como se tivesse dado a volta pelo prédio sendo que tudo o que eu fiz foi falar. Abrir a boca e deixar despejar algumas letras juntas, algo tão fácil quanto escovar os dentes, mas que estava tão preso dentro do meu peito que me tirou toda a energia que ainda restava em mim. Eu havia me libertado.

Ele olha para mim como se eu tivesse lhe dado um tapa na cara. Acredito que teria doído menos, e consigo sentir o prazer em derrubá-lo. Sei que se demorar mais ali, terei que ouvi-lo engasgar com todos os argumentos vazios dele de que eu estava louca, de que ele não era machista. Terei que lidar com minha vontade de rebater e a sua insistência em me interromper como se tudo o que eu tivesse para dizer fosse inútil, coisa que ele já provou acreditar durante todo aquele dia. Terei que passar raiva por algo que eu já entendi ser completamente dispensável para mim.

E então, eu escolho ir embora. Ergo as sobrancelhas em sua direção, um sinal de adeus, e viro de costas. Me despeço não só de um cara babaca, mas do silêncio, da tortura em me conter, da subestimação. Sinto o poder dos meus pensamentos revivendo dentro de mim, e estou pronta para gritá-los para fora novamente. E não vou parar.

#StayYellow: O meu paraíso.

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Eu estou no meio da multidão. Nela, eu tenho meu espaço. Não apenas o espaço que eu ocupo, mas o espaço das minhas diferenças em relação a todos à minha volta. Vivo a vida com a minha cabeça me transportando em pequenos flashes para o meu mundo de êxtase, em que eu sou a rainha e tudo está de bem comigo. Lá, o meu corpo é o meu maior sinal de paz. Paz comigo mesma, eu quero dizer. Tento viver no mundo dos outros com a mesma confiança em que eu vivo no meu. É um exercício que eu aprendi a fazer com a praticidade e inocência de uma criança sem nada com que se preocupar. Às vezes, eu ainda consigo me surpreender com essa minha capacidade.

Me olhei várias vezes no espelho antes de sair de casa naquele dia. Reparei em cada centímetro meu, alguns ocupados pelos tecidos e costuras; outros, apenas de carne, gordura, pele e osso. Passeei com meus olhos sonolentos por cada curva. Pelo meu quadril avantajado, minha cintura fina, minhas coxas grossas e a ausência de espaço entre elas. Pelo tronco delicado e feminino. A regata M me ajusta e mostra a desproporcionalidade da minha forma, em que os pneuzinhos estão presentes, mas os seios estão ausentes. A cintura alta dos meus jeans define o meu corpo de uma forma quase poética, e não tem um instante em que eu não me olhe no espelho e não me sinta orgulhosa de tê-los adquirido. Eles parecem intrínsecos ao meu corpo. Eu e ele somos eternos namorados. Naquele momento, é quase impossível me incomodar com o fato de eles serem tamanho 46. Tamanho não é documento, eu penso ao amá-lo em volta de mim.

Eu caminho pelo mundo me sentindo perfeita, tudo dentro e fora do lugar. A pose ereta, os quadris balançantes no ritmo hipnotizante de um desfile. Entro tanto no meu personagem empoderado, que é quase impossível de não se reparar, e me contento por deixar explícita a autoconfiança que sempre quis ter quando algum dos meus amigos me nota.

“Eu amo o seu jeito de andar desfilando. Queria andar assim que nem você.”

Eu rio, corada, fingindo não saber do que ele está falando.

“Mas eu só tô andando.”

“Minha querida, você tá seduzindo esse lugar inteiro.”

E é incrível pensar que talvez eu esteja fazendo aquilo mesmo. É de uma energia intraduzível, forte o bastante para ser insuportável, tão presente na minha corrente sanguínea ao ponto de me dar pequenos choques de euforia. Faço poses descontraídas e espontâneas, me exibo de uma forma que eu sinto vergonha de fazê-lo normalmente. Sinto minhas calças se apertarem na minha barriga como se me abraçassem em comemoração. Meu peito se enche de ar, egocêntrico, arrogante, e não me sinto mal. Aquela noite é das minhas formas. Estou longe do padrão, mas estou além de satisfeita. Tudo estava fora do lugar, e eu amava.

Aí, passou.

Eu acordo, inebriada debaixo dos lençóis. Apenas minha cabeça tem forma para mim. Meus braços, pernas e ombros não têm peso. Não assimilo quem eu sou. Naquele instante, apenas um corpo flutuando em um colchão, longe de existir. É um bom sentimento perto do que está por vir. 

Eu assusto aquele limbo de perto de mim ao me levantar. O espelho está ao lado da minha cama, e nele, tenho o primeiro contato com a realidade. Furos, furos e mais furos. Não verdadeiros furos, que sangram e me matam aos poucos, mas furos que formam depressões na pele das minhas coxas, que tornam o caminho mais difícil, como uma estrada esburacada. Seria tranquilo se eu me referisse àquela dificuldade só no sentido literal, mas vai além do que realmente é. Elas me matam, sim, mas de desgosto.

Esse é o meu dia ruim, eu penso, fitando obcecadamente o acúmulo de gordura no meu estômago, o qual o short do pijama não cobre nem que eu o puxe para próximo dos meus seios. Viro de lado. Pareço um monte de lama empilhada e pronta para servir para uma escultura. Viro de costas. A grossura das pernas e os furos nelas apagam o meu amor pela minha parte de trás. As dobras das costas se mostram quando eu me torço levemente para o lado. Os braços parecem dois pães. Quero arrancá-los com uma faca. É o único pensamento que me vem na cabeça.

Visto mangas longas naquele dia. Nenhum decote à vista. Os jeans são pretos e discretos. Evito de abrir o Instagram e me deparar com vales formados pelos seios sem sutiã, as peles lisas em biquínis. Até rio sozinha com a possibilidade de eu entrar em algum deles no próximo verão. Só consigo me imaginar debaixo das cobertas, o ar condicionado cobrindo qualquer resquício de calor e oportunidade de me expor além do que as pessoas precisam ver. Ninguém quer me ver em um biquíni, ninguém precisa ter a visão das pelancas do meu quadril saindo pra fora do tecido. Todo mundo está bem comigo longe desse cenário. Eu estou bem fora desse cenário. Quer dizer, é melhor eu ficar de fora dele para não me sentir ainda pior.

Quando chego em casa, me deparo com aquela visão novamente. A visão das gorduras, das coisas minimamente caídas, dos pequenos relevos e depressões. O flashback das vezes em que eu tentei entrar em uma calça 44 me assombram por alguns milésimos de segundo, e eu luto contra o ar que me falta. Arranco minha roupa, e me encaro como uma mãe encara um filho para chamar-lhe a atenção sem precisar abrir a boca. O sutiã sem bojo é uma arma para eu não tentar forçar os meus seios a formar o desenho perfeito de um vale. Me dá a falsa sensação de que eles apenas são pequenos, e eu me agarro àquela verdade. A calcinha de cintura alta esconde tudo. Esconde o excesso. Me dá o formato de pêra que eu quase sempre amo em mim mesma. E os furos continuam ali. Ninguém se preocupou em fechá-los, apesar de eu saber que aquilo depende só de mim.

Eu posso vestir 44 se eu quiser. Posso vestir 40, 38, até um 36 se eu me esforçar tanto. O “problema” (pra não dizer “a solução”) é que eu não quero isso. Não quero me desvencilhar das curvas da minha beleza porque alguém acha que eu preciso, porque alguém botou na minha cabeça em algum momento da minha vida que é aquilo que vai me fazer realmente feliz comigo mesma. Eu não quero dar aos outros a felicidade de me ver entrando nos seus moldes porque eu mesma não fui capaz de enxergar o lindo naquilo que eu sou. Não quero dar a eles o prazer de me ver jogando no lixo as lembranças dos dias de vaidade, de deslumbramento, em que eu não precisava me mutilar e me esconder de ninguém. Em que eu empinava o meu quadril e botava a mão na cintura. Não quero abrir mão do meu andar rebolado, da minha excentricidade, da sensação sufocante que é estar me sentindo maravilhosa.

É esse pensamento que me mantém do jeito que eu sou, no meu manequim, quando os dias ruins me perseguem. O pensamento contrário à escravidão dos corpos, à perda da minha identidade. A ideia de que eu sei me sentir perfeita, de que eu não preciso travar uma guerra comigo mesma, de que eu vou estar me matando se fizer isso. De que eu vou estar destruindo todo o mundo que eu mesma criei.

E então, eu confio em mim mesma.