#StayYellow: Um ano de transição

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(fonte: Pinterest)

Eu quero acreditar que esse ano foi de transição. Aquele monótono, com perdas grandes e decepções, mas que serviu para que o próximo seja um ano de ações. Foi honestamente como se eu tivesse ficado 365 dias em uma tela em branco, e as coisas se pintaram em tons cinzas. Algumas vezes, tive flashes da luz do sol no meu campo de visão, mas que foram substituídos por mais nuvens, algumas quase negras, outras que serviram para me dar um susto, mas logo foram embora. E como todo ano, me fez suspirar e dizer “É, não foi fácil”.

E me assusta como tudo mudou tão rápido e o tempo todo. Comecei achando que tudo seria incrível. Minha cabeça estava controlada, eu estava fazendo novas amizades, me sentia bem com a minha própria companhia e meu trabalho estava sendo reconhecido. As pessoas confiavam em mim para lidar com os temas que eu mais amo lidar. Eu confiava em mim para fazer isso.

Mas com a calmaria, veio a tempestade. Perdi amigos. Perdi amores. Esses, nem sempre serviram para o posto, mas com a minha mania de exagerar tudo o que aparece para mim, foi como se eu tivesse perdido um mundo inteiro toda vez que alguém passava pela minha vida e decidia não ficar. Perdi oportunidades e comecei a sentir que estava perdendo tempo e desperdiçando o meu talento e a expectativa que os outros colocavam em mim. Sucumbi rapidamente. Como se um tapa na cara me acordasse para as coisas ruins, para o pessimismo. E eu me enfiei nele como se fosse uma coberta que me livrasse de novidades que me assustavam e me davam ansiedade. Tudo o que eu acreditava antes foi destruído, e eu precisei de outro tapa para acordar e, mesmo atenta, ainda segui sem confiança. Ainda sigo. Não sei o que me espera, e isso me assusta. Não sei se sou capaz e isso me mata um pouco por dentro. Mas sei que não estou sozinha.

E esse foi o meu maior presente em 2017. Saber que eu tenho pessoas. Saber que eu nunca vou cair e não ter alguém para me ajudar a levantar e curar o meu machucado no joelho. Saber que existe alguém que vai balançar os meus ombros e me dizer que eu tenho capacidade para terminar tudo o que eu comecei da melhor forma. Que eles estarão lá para me ajudar a fazer isso. Chorei muitas vezes, por vergonha de admitir a eles que eu falhei e que eu precisava de ajuda. É difícil aceitar que eu falho e, por isso, tinha medo de ser julgada. Mas não havia por que eu me prender tanto ao perfeccionismo, porque ele não é possível quando se age sozinha. E é isso que eu preciso entender em 2018.

Outra coisa que eu percebi foi o quanto eu preciso ajudar as outras pessoas. E como elas precisam não só da minha ajuda, mas da ajuda de todas. É algo pelo qual eu pretendo batalhar verdadeiramente em 2018 e em diante: as pessoas precisam de ajuda. Elas precisam se sentir bem. Elas precisam vencer qualquer insegurança que as deixe penduradas em sua própria vida, e eu quero estar presente nessa luta o máximo que eu puder. É uma urgência dentro de mim que eu mal consigo explicar ou justificar de maneira racional. Mas é o que eu preciso fazer.

Eu me maltratei muito nesse ano. Exigi de mim coisas incompreensíveis para qualquer um. Me esforcei até o limite da minha capacidade mental, ou mais além do que isso, como se martelar os meus pensamentos com toda a minha força não fosse me fazer mal. Me coloquei pra baixo contra minha própria vontade, estraguei coisas sem que eu mesma percebesse que havia estragado. Fiz tudo isso de graça. E depois de um tempo, percebi que nada foi de propósito. Que aquela não era eu. Que eu precisava me cuidar.

Tive segundas chances em 2017. Várias, em vários aspectos. Tive últimas chances também. Essas, a maioria eu desperdicei, e ainda estou procurando superá-las e procurar novas chances. Mas é complicado para alguém cabeça dura como eu. Sinto que sempre perco a melhor oportunidade que poderia me aparecer, e que nada igual irá cruzar o meu caminho. E agora, com outro ano entrando, a expectativa não me consome mais. Pois com o tanto de vezes que eu a utilizei esse ano, duvido que haja alguma restante. E isso é bom. Nada é muito bem aproveitado quando se existem milhões de esperanças depositadas.

Então eu sei que meu lema em 2018 será: faça o que puder. Não se consuma por coisas pequenas. Viva a vida do jeito que ela vier. Não se desespere antes do tempo. Agarre o que tiver no seu caminho, mas solte se perceber que nada de bom virá daquilo. Cuide de você, da sua saúde e da sua autoestima. Não se sinta mal por não ter conseguido as coisas, isso não significa que você não é o suficiente para elas. E se se sentir insuficiente, saiba que você é mais do que suficiente para um mundo inteiro de coisas. E é isso que deve te motivar. Isso, e a sua capacidade de ser uma pessoa maravilhosa.

2018 vai ser seu. Seu para descobrir, para inventar, para surpreender e ser surpreendido. Vai ser seu para se conhecer ao máximo, e é isso o que deve ser mais importante. Você.

 

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