#StayYellow: Novas chances

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Fonte: Pinterest

A sensação de solidão que me assombra todos os dias me afoga em uma escuridão cercada de vozes estranhas e silhuetas. Eu estou literalmente no meio delas. Meus pés doem e querem ceder por conta dos saltos que eu já nem mais entendia por que eu havia me dado o trabalho de calçar. Na realidade, só serviam para me mostrar como eu me esforçava por tanta pouca coisa que eu sei que não me daria retorno algum. Não há onde sentar, e eu já consegui tropeçar em todos os degraus que eu consegui encontrar, em busca de qualquer suporte que me dê estabilidade completa, mas eu estou surtando.

É que estou surtando já faz um tempo. Aquele cenário de luz negra vem me perseguindo há semanas, mas precisei que ele virasse realidade para que eu entendesse qual é o meu problema. Todas aquelas sombras me ignoram. De costas, passando reto por mim, elas me julgam e me detestam por eu ser o que sou. Elas sentem nojo de mim. Elas sabem que não consigo manter uma relação sem estragá-la e sabotá-la por completo. Sem duvidar da sua autenticidade, sem desconfiar de cada movimento, cada palavra dita, cada suspiro dado errado. Sem deixar que um pouco do meu lado descontrolado, ansioso, apareça. Como se fizessem por pena, como se eu fosse um estorvo a ser lidado, como se estivessem mentindo, escondendo alguma coisa que possa me ferir. É o lado que muitas vezes me trai, transbordando entre os meus dedos, e que eu tento ao máximo esconder, porque sei de sua capacidade em rasgar todas as coisas boas em pedaços quase invisíveis.

No meio daquela multidão presa na escuridão do meu peito, estão pessoas pelas quais sou apaixonada. E não apenas no sentido carnal da palavra. Me encantei por elas, por tudo o que elas puderam me oferecer. Me encantei com todos os grãos de intimidade que consegui colher, com todas as letras que trocamos. Me entreguei para tudo o que eu não conhecia, e dei a elas o poder de me destruírem. Nem precisaram. Eu me destruo.

Eu vejo toda aquela multidão como pessoas que se arrependem de um dia terem me dado atenção. Sinto sua amargura no topo da minha pele, escorrendo pelos meus lábios. Não duvido de seus motivos, na verdade, eu os sustento. Minha ansiedade os sustenta. Ela grita para mim que eu estrago tudo sempre, que meus defeitos são grandes demais para serem ignorados. Sou desesperada por atenção, carente e desnecessária, superficial e sem nada a oferecer. Sou um mero vácuo na existência de alguém que um dia só pensou em ter algo de importante para se apoiar. Ficar sozinha já não é uma escolha.

Eu transpiro de forma que meus cabelos preguem em minha nuca e quase me estrangulam. Eu encaro as silhuetas como se implorasse para ser resgatada. Uma por uma, tento me desculpar. Uma por uma, entendo onde errei. Quero consertar tudo, mas sei que só vou dar mais chances de decepcionar. Só vou dar mais chances para o meu descontrole emocional cercar e abusar de pessoas que não têm nada a ver com os meus problemas, e que não são obrigadas a entendê-los logo de primeira. Não posso culpar a ansiedade por tudo o que eu faço de errado. Mas às vezes, na sensação de não ser amada de verdade, é a única coisa que toma controle de mim.

Em todos os meus dias, tudo o que eu mais quero é uma chance para mostrar o que eu sou. Uma chance para me redimir e ser perdoada. Não só pelos outros, mas por mim mesma. Sem empecilhos, sem transtornos que me escondem da minha verdadeira personalidade. Às vezes, fica difícil de se encontrar, em meio a tantas preocupações desnecessárias, produtos de pensamentos infinitos, e eu me perco na tradução. Me perco na ideia de que todas as coisas que eu faço são porque eu escolho ser assim. Neurótica, preocupada. Eu não escolho. O meu cérebro me engana, me sabota, me faz sentir que eu perco tudo por conta própria. Me faz pensar que eu mereço ser abandonada, excluída, esquecida. Eu não mereço. Tudo o que eu mereço é de uma chance para ficar em paz com a minha mente, para sentir que eu não sou um encosto, para poder lidar com as coisas sem que eu as estrague. Para poder lidar comigo mesma. Para me entender.

Para me amar.

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