#StayYellow: Muita areia pro seu caminhãozinho

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Desde que eu percebi que eu era uma adulta, no caso quando fiz 18 anos e todas as pessoas a minha volta resolveram pensar na própria vida a longo prazo, a minha cabeça decidiu insistir que era hora de eu procurar um namorado. Assim, procurar. Não investir em alguém que eu achava ser interessante, mas praticamente colocar um anúncio de mim mesma em algum lugar dizendo o que eu gostava e que eu queria um namorado. Não, que eu precisava de um namorado.

Acho que isso aconteceu porque eu queria compartilhar a minha vida com alguém. Aliás, eu deveria compartilhar. E também porque todas as minhas amigas estavam com meio caminho andado e muito felizes com alguém só para elas. Aquilo mexeu comigo. É meio que a pressão feminina de que nada vale a pena se você não tem um homem ao seu lado para te fazer carinho e dormir junto. Você não é bonita de verdade se nenhum homem reconhece isso de primeira. E, sim eu realmente estou culpando o patriarcado por ter sido emocionalmente dependente das pessoas por muito tempo. Mas o patriarcado é culpado por muita coisa nesse mundo, então acho que cabe nisso também.

Não demorou muito para me introduzirem ao Tinder, aquele aplicativo engraçadinho que vale mais para dar boas risadas do que para encontrar pessoas realmente interessantes. Lembro que na madrugada do meu aniversário de dezoito anos, eu e minha melhor amiga ficamos por horas deslizando o dedo na tela, rindo de muita coisa e esperando matches que não vinham, e outros que vinham, mas não davam em nada. Fomos mais para a esquerda do que para a direita, infelizmente. E olha que, naquela época, eu não era tão exigente com homens. Eu não tinha nenhum parâmetro que me servisse de verdade, que coubesse à minha personalidade. Qualquer coisa arrumadinha já era o suficiente. Na minha cabeça, eu não tinha que ser tão difícil, porque eu estava longe de ter esse direito. Achar isso foi, talvez, o meu maior erro nesses últimos anos.

O tanto de dates que eu tive por conta desse app já não são números, mas algumas cenas desconfortáveis que rondam a minha cabeça quando eu decido pensar no que deu errado. Se a Nichole de dois anos atrás estivesse escrevendo este texto, estaria tentando entender por que deu errado. Ela estaria tentando enaltecer todas as coisas mínimas que pareceram boas nas noites em que passou com homens que não chegavam nem às unhas de seus dedos, mas que ela via como reis, como salvadores da sua vida medíocre e solitária. Homens que beijavam as juntas dos seus dedos quando cruzavam suas mãos com as dela, e ela via aquilo como algo mais do que um simples toque, mas uma mensagem de que aquilo daria certo, de que finalmente, ela não seria mais a amiga solteira do rolê. Homens que, no começo, prometiam tudo o que ela queria ouvir. Homens que fingiam não a conhecer no outro dia. Homens que adoravam tratá-la bem até conseguirem o que queriam. E eu, uma garota que vivia dando chance para eles ferrarem ainda mais com o seu emocional.

Dá vontade de me chacoalhar pelos ombros e me dar um tapa na cara, eu sei. Mas uma menina com 18 anos, que nunca havia namorado na vida, era uma menina que não sabia o que estava fazendo. E eu também nunca me achei o sinônimo de bonita e interessante. A baixa autoestima misturada com o desespero de se ter alguém, me trouxe essa busca constante por alguém que se derretesse por mim. Projetei as minhas expectativas em cima de homens que não estavam lá para atendê-las. E eu não os culpo totalmente pelo fracasso. Todos nós estamos procurando por algo que preencha algum vazio, não é?

Mas nem tudo deu tão errado pra mim. Tive relacionamentos maravilhosos, e que aconteceram com a ajuda do próprio Tinder, mas o fato de terem dado errado em algum momento me desestabilizou imensamente. Tudo porque eles simplesmente não me serviam. Eles estavam ali porque eu estava forçando para mim mesma que eles eram perfeitos, que não havia nada de estranho entre nós, além do fato de não termos nada em comum e eu odiar o senso de humor dele. E foi assim que eu precisei entender que não é qualquer um que vai me fazer feliz. Isso mostra o quanto eu não me conhecia, o quanto eu não me entendia, e o pior, o quanto eu não me amava o suficiente.

E, agora, eu me amo. Não totalmente, ainda tropeço em algumas falhas e crises existenciais, mas estou progredindo. Me olho no espelho, me sinto bonita. Me arrumo para mim mesma, aprecio minha própria companhia, e sei que não adianta depender de ninguém, quem quer que seja.

Agora, eu sei o que não é bom pra mim. Sei que eu não posso sair com gente intolerante (pra não dizer outra coisa, *cough cough* machista *cough cough*), e que serem carinhosos não os impedem de serem babacas. Sei que sair com quem acabou de terminar namoro só traz dor de cabeça, e que gostar de memes e música indie é um pré-requisito para se dar bem comigo. Sei também que não é só isso. Sei que as coisas não dependem só de mim para acontecerem, e que eu preciso ter calma. Não sei o que me espera, e enquanto ninguém me encontra, eu me encontro e me contento comigo mesma.

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