#CG/Canadá: Despedidas e amadurecimento 

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Parte 2:

Julho chegou e começaram as despedidas.

Apesar do estresse, eu queria curtir ao máximo todos os lugares que eu gosto na companhia da minha família e amigos. Era comida boa, cerveja e risadas, todas as noites (e, às vezes, dias), em especial na última semana. Eu devo ter ganhado uns 20481058 kg, mas nem liguei, só queria ser feliz. Nós éramos muito próximos das nossas famílias e amigos, era difícil entender que aqueles seriam os últimos momentos ao vivo por pelo menos um ou dois anos…

Chegou o dia da viagem (UFA!… sqn). Toda a nossa família no aeroporto, foi lindo. Cada abraço apertado e lágrima derramada tiveram mais significado que mil palavras. Saindo de Campo Grande dia 24/07, aproximadamente às 11h15, levamos exatas 24h em trânsito até chegarmos no nosso Airbnb aqui em Montréal. Eu não tinha passado bem durante o voo, fiquei com febre e muita dor de garganta – acho que todo o estresse, cansaço, dieta pesada e bebedeira que fizeram parte da minha rotina em julho finalmente bateram. Chegamos aqui já no dia 25, 09h30 da manhã, dormimos o dia todo, nos levantamos umas 18h e saímos para conhecer a cidade. E QUE CIDADE.

Montréal é incrível. Aqui coabitam pessoas de todo o  mundo, o nível de liberdade pessoal é uma delícia de se ver! Apesar das diferentes culturas, no geral todos se respeitam; pouco se importam com o que/como você se veste… a aceitação e o nível de preconceito são muito menores que os que vivenciei ai no BR. Por favor, não me entendam mal, não estou desfazendo do nosso país – até mesmo porque nem tudo por aqui são flores, como em qualquer outro lugar onde habitam seres humanos. Eu amo meu Brasil, amo ser brasileira e tenho sim orgulho disso, mas é evidente que nós temos muitas mudanças a implementar por aí… aprender com o outro é sempre bom. De toda forma, não vou me prender a isso agora, deixemos esse assunto para outras oportunidades.

Às vezes é difícil entender que mudar de país significa muito mais do que simplesmente dizer que mora no exterior e alterar sua residência atual no facebook. Você precisa pensar em muitas coisas que, em geral, não passam pela cabeça, o que vai desde a pesquisa para adesão a um novo plano e número de celular, a aprender a fazer coisas que você nunca tinha feito na vida como alugar um imóvel sozinha (sem auxílio de um adulto porquê, no caso, você é o adulto), mobiliar sua casa (com, de preferência, o menor budget possível), contratar seguro de saúde, aprender a viver em outra língua…

Acontece que no verão os dias por aqui rendem muito, já que só anoitece umas 20h30/21h. Aliando isso ao fato de que há vários parques, transporte público que funciona e muitos eventos culturais gratuitos (em especial porque em 2017 eles comemoram os 375 anos de Montréal), foi muito tentador turistar sem pensar no amanhã, como se estivesse de férias por tempo indefinido – ou ao menos até o final do verão… Como nem tudo é alegria, apesar de estar apaixonada pela cidade e querer curti-la ao máximo, não demorou muito para o Irving (meu marido) me dar aquela chamada no pé do ouvido e me lembrar que não, nós não estávamos aqui para turistar, o buraco era beeem mais embaixo. E que bom que eu tenho esse realismo dele para me ajudar a colocar os pés no chão, né não?! Porque, se deixar…

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Marché Jean-Talon
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Marché Jean-Talon
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Marché Jean-Talon
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Marché Jean-Talon
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Village Gay
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Village Gay- Kamehameha
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Jarry Park

De volta a realidade, a maior barreira para mim é que Montréal está situada na Província de Quebec, por aqui há duas línguas predominantes o inglês e o francês – sendo esta a mais falada. Nós conseguíamos nos virar bem com nosso inglês, que era de nível avançado, só faltando o toque da fluência. Já o francês… nos nossos quatro meses intensivos de aulas em grupo e particular aí em CG (Campo Grande/MS) com nossos professores (Luciano e Gustavo, que são incríveis btw), nós adquirimos uma boa base sobre a aprendizagem da língua e de suas regras, mas ainda não tínhamos vocabulário suficiente para travar conversas.

É claro que você até consegue viver por aqui somente com o inglês, mas caso seu desejo seja realmente “se inserir” na sociedade quebecois, é imprescindível aprender francês. Até mesmo as vagas de emprego ficam bastante restritas caso você não domine o francês. Além disso, eu também me forço a aprender a língua porque entendo que se eu vim morar no país deles, numa província francófona, não faço mais que a minha obrigação em aprender a viver conforme a cultura Qebecois… para mim, isso é também uma questão de respeito, sabe?!

Lembra quando eu disse que eu não tinha vocabulário suficiente para travar conversas em francês? Pois bem, mesmo sabendo disso, nós precisávamos buscar algum apartamento para alugar e, por isso, fizemos VÁRIAS ligações, sendo muitas delas em francês – imagine só o desastre kkkkk nem todos aqui falam inglês, em especial as pessoas mais velhas. Foi perrengue? Foi! Mas gerou muitas boas risadas.

Mas, mesmo o inglês… alguém aí que faz cursinho já teve alguma aula sobre vocabulário ou conversas de academia? E sobre como entrar em contato com a companhia de energia elétrica? Quais produtos de limpeza utilizar e coisa e tal? Essas são coisas que a gente só aprende com a “vivência”. Mas, eu não tô reclamando não! Acreditem se quiser, isso tudo é bom, MUITO BOM. Essas situações te forçam a sair da zona de conforto, afinal, se você não fizer, ninguém mais fará.

A despeito dos momentos de descontração, nós passamos por bastante estresse. Depois de muito andar pela cidade durante uma semana, encontramos um apartamento que, aparentemente, cobria nossas necessidades. Ele não é nada novo, tem as janelas velhas, piso não tão bonito e estava muito sujo. Eu definitivamente não me apaixonei por ele, mas nós tínhamos pressa, ele se enquadrava no nosso orçamento e não havia muitas opções disponíveis. Sabe aquela expressão “é o que tem pra hoje”? Pois é.

Pegamos nossas chaves no dia do aniversário da Lu, dia 1º/08. Dali para frente os afazeres eram: faxina pesada e mobiliar o apê. Tudo o mais rápido possível porque as aulas do Irving começariam em meados de agosto. Como eu disse, não estava tão satisfeita com a nossa escolha de apartamento… era tudo muito contrastante a tudo que eu tinha aí no Brasil, chegou a ser um pouco frustrante. O bom é que tão logo nós fomos comprando nossos móveis, e ele começou a tomar cara de “casa”. Não demorou muito para eu tomar meu apê como uma pequena porção de território brasileiro aqui em Montreal.

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Vista do apartamento

O que eu quero dizer com tudo isso? É muito simples: toda mudança tem nuances boas e ruins. Não deixe que as nuances baixas apaguem o brilho das coisas boas que te cercam; aprenda a lidar e a conviver com elas, logo menos a negatividade perde força e as coisas se ajeitam.

Hoje, eu posso dizer que tenho aqui uma felicidade que eu desconhecia quando morava por aí. Por quê? Porque aqui eu conheci uma nova Karoline, que é mais grata, compreensiva e esforçada; porque aqui eu sai da minha zona de conforto e aprendo a cada dia a correr atrás do que é meu; porque aqui eu e o Irving estamos ainda mais próximos e nos tornamos muito mais que marido e mulher, nós somos nossa única família em aproximadamente 8.000 km de distância.

Em resumo, eu estou feliz e, no geral, sou mais feliz por ter ultrapassado barreiras pessoais que eu desconhecia; por ter comigo um amor que me motiva; por ter a oportunidade de aprimorar meu inglês e desenvolver meu francês – tudo isso, enquanto convivo com pessoas incríveis! É claro que a saudade da família e amigos segue grande, mas isso faz parte do processo… #vidaquesegue

No final de tudo, creio que a melhor parte de tudo isso seja poder desenvolver minha independência e crescer ao lado da pessoa que eu amo… 🐿🍁

Até a próxima!

Beijos canadenses, Kah.

3 comentários em “#CG/Canadá: Despedidas e amadurecimento 

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