#StayYellow: não importa o quão lento você for, contanto que você não pare

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Esses dias, a minha banda favorita lançou um EP com quatro músicas novas. Precisei me segurar por uma noite para não ouvi-las, porque sabia que ia ficar sem dormir caso resolvesse arriscar. A empolgação entra em meu corpo como uma injeção de ansiedade e adrenalina, e acaba tirando o meu sono. Por isso, aguentei até o dia seguinte para fazer o meu ritual sagrado. Queria um momento em que eu soubesse que não seria interrompida ou atormentada por ninguém, e que estivesse em paz, somente comigo mesma.

Paradoxalmente, esse momento foi dentro de um ônibus, com outros 30 jovens, às 06:35 da manhã, todos indo para o mesmo lugar: a faculdade. Poderia ser estranho, mas quando se consegue um assento no ônibus, ele se torna o melhor lugar do mundo para relaxar, e foi o que eu fiz. Coloquei meus fones de ouvido e apertei o play. No último volume, a batida melodramática, os rifles e a voz sofrida estavam longe de me serem estranhos. Aquele era um bom momento em meio a tantos outros ruins na minha vida, e eu me deliciava dele como uma criança se delicia com um sorvete de chocolate.

Esperei pelas mesmas letras obscuras sobre sofrimento, raiva e frustração. Tudo o que eu já estava acostumada vindo deles. Não foi muito diferente. Lindo, nos conformes, sem muitas mudanças drásticas. Era a minha banda favorita voltando para a minha vida no momento em que eu mais precisava. Principalmente se tratando de uma música.

Essa música contava a história de um garoto e de uma garota, ambos frustrados por estarem parados no tempo, sem terem para onde ir ou o que fazer. Estavam perdidos em sua própria vida, enquanto sabiam que poderiam ir longe pelo que acreditavam, mas o tempo e a velocidade das coisas a sua volta os desanimavam. Eles estavam atrasados. O refrão da música pedia para que eles parassem de se preocupar tanto com o tempo. Que tudo ia dar certo. Que nada iria faltar para eles.

“Honey’s just 22,

and she doesn’t know what to do.

So I tell her ‘Don’t cry. Can’t worry about time.'”

Era diferente de tudo o que eu já tinha ouvido daqueles garotos californianos no meio do cenário indie pop. Pela primeira vez, algo que até então servia para me distrair, estava servindo para me acalmar. Eu, uma garota de vinte anos, que sempre achou estar atrás em tudo o que fazia, perdendo todas as oportunidades que a vida dava, ou então não tendo nenhuma para correr atrás, e com medo de que nunca sairia do lugar. Eu, que sempre tive sonhos grandes, maiores do que a minha vontade de viver naquele mundo em que eu vivia, assombrando a minha cabeça enquanto eu olhava para a janela do ônibus e me imaginava em um cenário infinito, em um lugar perfeito. Eu, que sempre me culpei por não ser tão corajosa, que sempre achei que havia algo de errado com o jeito em que eu estava lidando com tudo.

Nós, jovens que vivemos nessa revolução descontrolada do tempo, tendo que aguentar uma carga de responsabilidade e amadurecimento as quais não possuímos. Tendo que se frustrar e adoecer por conta de um costume que não nos foi passado, e ainda precisando fazer isso durante a dita cuja ‘modernidade líquida’, em que tudo é passageiro, descartável e substituível, principalmente se tiverem erros. Nós somos descartáveis.

A verdade é que tudo em nós pode ser completamente descartável, mas nossos sonhos, não. Parece clichê, mas não existe outra maneira de dizer que há tempo. Vinte anos de idade, vinte e um, vinte e dois… acreditem ou não, nós mal tiramos a chupeta da boca. E se alguém tirou antes do que você, ótimo, isso também não quer dizer nada. As coisas boas vêm quando nós damos o nosso melhor para consegui-las. Não me entenda errado: dar o seu melhor não quer dizer ir contra o ponteiro do relógio. Quer dizer ir atrás do que você quer quando se está preparado, não fazendo apenas por fazer, apostando apenas por apostar. Por incrível que pareça, isso é um tiro no escuro.

Você é jovem. Você tem tempo. Você tem planos, sonhos, cenas perfeitas montadas em paletas de cores maravilhosas, e que podem sair de sua cabeça e aparecer bem em frente aos seus olhos. O segredo para isso é fazer as coisas com calma, se preparar, não balbuciar, não gaguejar, não estremecer. É sentir que está pronto. É acreditar no que você tem a oferecer, e não no que o mundo é capaz de te dar.

E quando você menos esperar, estará se olhando no espelho. Um sorriso no canto do rosto, os olhos brilhando em expectativa, e as palavras saindo de sua voz trêmula, formando as palavras sem que você perceba, em um suspiro:

“Tá na hora. Você consegue.”

A música é 24/7, do The Neighbourhood.

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