App de relacionamento e relações complicadas

Última semana de julho (30 ao 04/08). Baixei um app de relacionamentos durante essa semana e comecei a explorá-lo. Para mim foi uma experiência nova, pois foi a primeira vez que coloquei o meu gênero como ‘feminino’ que é o que eu me identifico. Nas outras diversas vezes eu o baixei com o intuito de passar o tempo, me divertir e conversar com pessoas novas, mas dessa última eu queria algo realmente sério.

Um dos meus maiores medos sempre foi viver uma vida solitária, sem pessoas, sem um par. Tenho 20 anos e parece que não tenho seguido a onda das pessoas da minha idade que já estão namorando. Muitas amigas já estão completando aniversário de 2 anos de namoro, vê se pode isso?! É até engraçado, pois eu tenho uma amiga na facul que veio de Bauru e sempre conversamos muito sobre namoro. Ela começou a se relacionar com um garoto e estou sempre acompanhando os gestos de amor e brigas entre os dois. É quase impossível não exteriorizar o que acontece em um relacionamento quando você está nele. Sempre me pergunto quando vou achar a pessoa ideal que me aceite e me ame… Já me disseram que eu só vou achar alguém quando eu me encontrar, me entender e me aceitar. Complexo, né?

Como dessa vez eu tinha feito a minha conta afim de encontrar alguém, mergulhei naquele mundo do App de relacionamentos e encontrei um carinha X. Óbvio que já fiquei encantada pela forma como ele tinha me tratado, pois ele tinha lido a minha ‘biografia’ e lá estava que eu sou transexual. Após dias de assuntos interessantes, fomos para o WhatsApp. Uma outra coisa que me deixou muito surpresa foi a forma como a conversa fluía, parecia que ele tinha interesse no meu dia… valorizo muito isso de quem se interessa pelo que a gente passa e se envolve conosco, sabe?

Desde o início ele já tinha deixado claro que não estava afim de nada sério e com isso eu me senti mais insegura. Tenho insegurança em relação a tudo que trata de relacionamentos, pois um dos meus maiores medos é ser apenas um objeto e na condição em que uma trans se encontra socialmente, não é difícil achar pessoas que nos vejam apenas como um brinquedo, mas sério… não somos! Fomos caminhando juntos até chegarmos aos papos mais calientes. Expliquei para ele coisas particulares e disse que existem limites, eis que ele me solta uma frase que me rebaixou muito como pessoa… Eu estava tão encantada que cogitei na possibilidade de um encontro mais quente, mas dou graças a Deus por não ter caído no conto de mais um que me vê como uma escrava sexual.

Por me sentir fora de um fluxo quase me rendi à condição de me relacionar sexualmente com um cara qualquer. O pior é a forma como eles falam, pois parece que é um jogo de manipulação infinita até você realizar todos os desejos dele. Não fiz nada, mas não foi por falta de pedidos. Acho que a forma como as pessoas são mostradas na rede de relacionamentos já é muito objetificante (nem sei se essa palavra existe), pois você está simplesmente passando as pessoas como se você estivesse virando a página de um cardápio de restaurante. Depois de muito pensar, resolvi que não quero ser só um prato, mas é claro, essa é a minha opinião, pois muitas pessoas conseguem suas transas diárias, amores, entre muitas outras coisas em redes de relacionamento, só que infelizmente para mim não deu certo. Prefiro ficar sozinha à ficar com uma pessoa que me acha inferior a ela. Mais uma vez, vivendo e aprendendo.

Beijos e abraços, Lu.

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