Transição Capilar: O poder dos fios naturais

O poder das mídias sociais já não é segredo para ninguém. Facebook, Twitter, Snapchat, Instagram, entre outras, são espaços aonde muitos ganham voz. A possibilidade de juntar seguidores, considerados espectadores fiéis, faz dessas redes, grandes meios de difusão de informações e ideias. Com este meio de informação sem limitação de alcance, vários hábitos e mudanças, algumas boas, e outras ruins, se transformam em tendência para a maioria. A transição capilar, por exemplo, que consiste em desintoxicar os fios e, após este processo, voltar às madeixas naturais, foi uma mudança que alguns influencers, passaram a aderir. Isto acabou virando febre entre os leitores de muitos, que viram na atitude dos famosos uma forma de motivação.

Achei muito interessante esse tema, pois a ideia veio de forma muito orgânica à minha cabeça. Estava conversando com uma amiga que, por sinal, passou pelo processo da ‘transição capilar’ e decidi entrevistá-la. Marcamos a entrevista, e a conversa aconteceu de modo fluído, sem interrupções. Eu, ela e mais três amigos dentro de uma sala, o ar ligado e um bloco de notas afiado para começar a receber o relato sobre a experiência daquela garota.

Desde criança, o cabelo foi motivo de gozações na escola e, dentro de sua própria família, por isso, com seis anos de idade, o desejo de alisar as madeixas já era latente. Segundo Ethieny Karen, 18 anos, o alisamento seria a única forma de ser bonita, por mais que não gostasse desse processo. Na escola que estudava, o preconceito era constante, e segundo ela, a auto-estima respondia a ele, pois, ser bonita era sinônimo de mudança, mas mudança que a incomodava.

A falta de gosto pelo alisamento já era nítido na entrevistada, e só faltava um estopim para inciar a desintoxicação dos fios. A leva de meninas que estavam voltando com seus cachinhos, fez com que Karen se sentisse livre para fazer dos seus cabelos a expressão de quem ela é. Aos 17 anos, iniciou o processo de transição, e se sentiu livre.

A transição a marcou com o sentimento de liberdade, mas de tristeza ao se olhar no espelho e se ver feia. Segundo ela, ainda sentiu medo de não gostar da aparência nova, de não gostar dos cachos. Se sentiu desmotivada, pois o apoio das pessoas que viviam ao seu redor, era quase inexistente.

O procedimento durou exatamente um ano. Tempo em que a química, que antes era vista como vilã, se desgrudava dos cabelos, e a pureza dos fios transformavam fios sem vida em belos cachos, como uma roseira revivendo e florescendo, após um longo período sem flores.

Algumas meninas começam a transição raspando a cabeça, “algumas amigas até raparam”, afirma Karen, que praticou o Big Chop, mas não chegou a raspar toda a cabeça.

Quarenta e dois produtos foram utilizados para limpas as químicas das madeixas. Ao chegar no 42º, ela concluiu que estes não fizeram efeito nenhum durante o processo. “A texturização é um método muito mais eficaz do que a utilização de outros produtos químicos, que supostamente ajudam a retirar a química dos cabelos”, declara ela.

O cabelo que eu tenho hoje em dia, é bem mais forte do que o que eu tinha antigamente, afirma Karen.

Hoje, após todo o processo de desintoxicação dos cabelos, o sentimento da personalidade completa e da identidade, são evidentes. A transição trouxe a satisfação pessoal.

‘Surpresa‘ foi a palavra que Karen utilizou para descrever a reação das pessoas à transição, pois de acordo com ela, muitos falavam que ficaria feia com o cabelo cacheado, mas no final, todos acabaram vendo que estavam errados. A mudança interna foi algo de sucesso, pois a aceitação como mulher negra veio de forma muito mais marcante. “O meu cabelo se tornou a resistência que eu não sabia que existia dentro de mim”.

-Você acha que ainda hoje é preciso ter “coragem” para assumir as madeixas? Você acha correto alocar a palavra ‘coragem’ nesse contexto?

“Coragem é uma palavra muito forte. Acho que a palavra que se encaixaria aí, é aceitação”, responde a entrevistada. 

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A entrevista foi muito inspiradora pelo fato de mostrar a satisfação pessoal de uma pessoa que viu na aceitação, uma forma de resistência e, de amor próprio. Decidi fazer o post porque me interessei muito pela história da entrevistada. Além disso, esse relato serve de inspiração para que muitas outras meninas se sintam livres para trazer vida aos seus cabelos e a outros traços característicos, pois é com a satisfação pessoal que o autoconhecimento e a auto-realização se mostram e tornam-se fatos marcantes na vida de cada um.

Beijos e abraços, Lu.

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